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Roubos e crise na Cracolândia pautam pré-campanha de candidatos em SP

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Operação da Polícia Militar na Cracolândia
Divulgação: PM de SP – 16/05/2022

Operação da Polícia Militar na Cracolândia

Na esteira do aumento de roubos e furtos no estado de São Paulo e da crise na Cracolândiapré-candidatos ao Palácio dos Bandeirantes elencaram a Segurança Pública e a dependência química como agendas prioritárias em suas pré-campanhas ao governo paulista.

As propostas incluem desde aumento do efetivo policial e da remuneração dos agentes até investimento em equipamentos de inteligência. Para Rafael Alcadipani, integrante do Fórum Brasileiro de Segurança Pública, apesar da prioridade ao tema, a maior parte das propostas são eleitoreiras e carecem de evidências científicas.

“Muitos candidatos usam a segurança pública como chamariz. Mas, na prática, as campanhas têm poucas pessoas que entendem do assunto, o que resulta em propostas fracas”, afirma especialista, acrescentando. “Deveríamos estar discutindo a segurança, e própria questão da Cracolândia de forma integrada com outras secretarias, com uma dimensão econômica e social, mas infelizmente não é o que acontece. Sobretudo num estado conservador como São Paulo, os candidatos falam aquilo que o povo quer ouvir: policiamento padrão rota e o discurso do ‘bandido bom é bandido morto’. Mas nada disso resolve o problema.”

O interesse pelo assunto ocorre num momento em que o estado registra alta de 28,5% em furtos e crescimento de 7,4% em roubo no primeiro semestre do ano na comparação com o mesmo período de 2021. Ao mesmo tempo, a capital paulista assiste à situação da Cracolândia ganhar novos contornos, com a mudança de endereço e a ações policiais que já deixaram uma pessoa morta e fez o Ministério Público de São Paulo abrir investigação.

Ex-prefeito de São Paulo e  candidato mais bem colocado na última pesquisa Datafolha, com 29% das intenções de voto, Fernando Haddad (PT) quer criar um plano de metas para reduzir a criminalidade e aumentar a resolução de crimes. O cumprimento dessas metas, diz ele, vai estar atrelado à valorização dos policiais civis e militares, o que inclui melhorias de carreira, formação continuada e investimento em inteligência e tecnologia.

Para a Cracolândia, a aposta de Haddad é no programa “De Braços Abertos”, implantado em sua gestão na capital e que tem como foco oferecer moradia, trabalho e tratamento psicossocial aos usuários de drogas. Segundo o petista, a iniciativa será potencializada na versão estadual, porque, se eleito governador, ele terá o comando das polícias civil e militar e poderá combater o grande traficante.

Márcio França, pré-candidato do PSB, retomou na campanha deste ano a proposta de transferir a Polícia Civil da Secretaria da Segurança Pública para a pasta da Justiça. Enquanto esteve à frente do governo de São Paulo, em 2018, o ex-governador tentou tirar a ideia do papel, mas acabou desistindo após ser alvo de críticas de especialistas do setor. Hoje, a medida tem o apoio de associações e sindicatos de delegados, mas ainda não é um consenso. O principal intuito de França com a mudança é dar mais estrutura para a Polícia Civil, do ponto de vista de material e tecnologia, e melhorar o atendimento à população e a investigação dos crimes. Ele também deseja trabalhar na reestruturação de carreira e na valorização profissional, mas ainda está estudando propostas.

A solução do pessebista para a Cracolândia ainda está sendo estudada, mas a proposta é reorganizar o melhor da experiência do programa “Recomeço” com o “De Braços Abertos”. Isso inclui a ampliação de rede de comunidade terapêutica e do número de leitos do Centro de Referência de Álcool, Tabaco e Outras Drogas (Cratod), além da reorganização da inteligência da polícia na região da Cracolândia para coibir fornecimento de drogas no fluxo. O pré-candidato se diz contrário à estratégia atual de dispersão e também deve adotar, se eleito, a não exigência da abstinência para o atendimento dos usuários.

Representante de Jair Bolsonaro (PL) na disputa paulista, o ex-ministro Tarcísio de Freitas (Republicanos) disse, por meio de nota, que solucionar a situação da Cracolândia é uma prioridade em seu plano de governo. Segundo ele, novas ideias estão sendo estudadas e serão divulgadas em breve.

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Em falas recentes à imprensa, o pré-candidato fez um aceno aos profissionais da Segurança Pública ao dizer que pretende acabar com o uso de câmeras nas fardas policiais, considerada uma das principais ações da gestão de João Doria (PSDB) na área e responsável pela redução das mortes por intervenção policial. Como mostrou O GLOBO, três dos pré-candidatos mais bem colocados nas pesquisas apontaram problemas na inovação implantada na gestão de Doria. Recentemente, o ex-ministro também acusou o governo paulista de fazer um “pacto com o crime organizado, de não combatê-lo”.

O ex-ministro disputa o voto do público conservador com o governador Rodrigo Garcia (PSDB), cuja pauta da segurança se tornou bandeira eleitoral. Pressionado pelas pesquisas, nas quais ainda aparece distante da liderança, com 6% dos votos, Garcia tenta descolar sua imagem de Doria, que tinha antipatia dos eleitores mais à direita em razão do discurso contra Bolsonaro.

A maior expressão dessa ofensiva foi a declaração que “bandido que levantar a arma contra polícia vai levar bala”. O atual governador anunciou uma série de medidas desde que assumiu o Palácio dos Bandeirantes. A principal foi a Operação Sufoco, em que dobrou o efetivo policial nas ruas por meio da contratação de jornadas extras de trabalho com o objetivo de combater os falsos entregadores de aplicativo e o “golpe do PIX”. Recentemente, ele liberou a contratação de 1,5 mil agentes para escolta de presos, retomou o pagamento de bônus para policiais civis e militares e entregou 490 submetralhadoras à Polícia Militar.

Em relação à Cracolândia, a gestão de Garcia tem adotado a estratégia de combate ao tráfico por meio da dispersão do fluxo, criticada por especialistas sob o argumento de que dificulta trabalho de saúde e assistência social.

Felício Ramuth (PSD) defende a instalação de 30 mil câmeras de segurança com inteligência nas ruas do estado, medida que colocou em prática durante sua gestão como prefeito de São José dos Campos. Os aparelhos, segundo ele, fazem leitura de placas e reconhecimento facial, o que possibilita a identificação de foragidos da Justiça. Ramuth ainda diz que, se eleito, irá incentivar a integração das forças de segurança, promover a valorização do salário inicial das polícias civil e militar e investir em infraestrutura para a Polícia Civil. Para resolver a Cracolândia, ele defende que é preciso estudar uma solução junto com governos municipal, estadual e federal, além de igrejas e entidades que atuam na região.

O ex-ministro da Educação do governo Bolsonaro Abraham Weintraub (Brasil 35) foca na atuação contra o crime organizado. Se eleito, diz que irá firmar e fortalecer pactos bilaterais entre o estado de São Paulo e os países que são afetados pelo crime organizado para coibir atuação de facções criminosas e das máfias. Também promete fortalecer o contato com países como Itália e Estados Unidos, visando a acabar com a principal rota de cocaína do mundo, e ampliar os acordos internacionais de cooperação jurídica para fins de extradição de membros de máfias e de demais grupos de tráfico de drogas. Já em relação à Cracolândia, declara que é preciso priorizar o combate ao crack, promover ações contra a cocaína, viabilizar meios para a internação compulsória de alguns grupos de usuários e prender e manter preso o traficante.

Vinicius Poit, do Novo, propõe aumentar o efetivo policial por meio de novos concursos policiais, além de melhorar a remuneração, o treinamento contínuo, a capacitação e o apoio psicológico aos agentes de segurança. O pré-candidato, que ainda ouve policiais para aprimorar as propostas, também considera importante a maior integração das polícias e a criação de um boletim de ocorrência unificado. A solução da Cracolândia, diz ele, deve ser interdisciplinar e ir além da abordagem policial. Poit ainda defende oferecer tratamento para essas pessoas, moradia e oportunidade de trabalho que permita a reinserção na sociedade.

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Altino Junior (PSTU) diz que resolver o problema da Segurança Pública no estado passa por reduzir ou acabar com a miséria no estado. Entre as propostas, está a taxação da fortuna dos bilionários. Se eleito, diz que passará o controle da Polícia Militar e Civil para a sociedade. Assim, representantes dessas guardas, como delegados, seriam eleitos pela comunidade. Sobre a questão das drogas, Altino, defensor da legalização das drogas no país, diz que é preciso uma reforma urbana, com mais moradia no centro da cidade, unificação das áreas de assistência social da saúde do município e do estado e apoio de entidades ligadas a movimentos sociais que já atuam com a população de rua.

CONFIRA AS PROPOSTAS:

Fernando Haddad (PT)

Segurança Pública: plano de metas de redução e resolução de crimes associado à valorização do profissional da Segurança Pública, formação continuada e investimentos em equipamentos de inteligência.

Cracolândia: retomar o programa “De Braços Abertos”.

Márcio França (PSB)

Segurança Pública: retirar a Polícia Civil da pasta da Segurança Pública para melhorar o atendimento à população e a investigação dos crimes

Cracolândia: reorganizar, em um só programa, o melhor “Recomeço” e do “De Braços Abertos”.

Tarcísio Gomes de Freitas (Republicanos)

Estuda novas ideias e diz que pretende divulgá-las em breve.

Rodrigo Garcia (PSDB)

Segurança Pública: aumento do efetivo nas ruas, ampliação da criação dos Batalhões Especiais padrão Rota, ampliação do efetivo por meio de novos concursos, implantação de novas tecnologias, valorização do trabalho policial, pagamento de bônus por mérito e produtividade policial e ampliação das Delegacias da Mulher 24 horas.

Cracolândia: combate ao tráfico de drogas e atendimento de saúde aos dependentes químicos.

Felício Ramuth (PSD)

Segurança Pública: instalar 30 mil câmeras de segurança com inteligência nas ruas do estado, incentivar a integração das forças de segurança, valorizar o salário inicial dos policiais civis e militares e investir em infraestrutura para a Polícia Civil.

Cracolândia: reunir poder público (prefeitura, governo estadual e federal), igrejas e entidades que atuam na região para, juntos, elaborarem uma solução mais efetiva.

Vinicius Poit (Novo)

Segurança Pública: aumentar o efetivo policial por meio de novos concursos políticos, melhorar a remuneração dos agentes de segurança, o treinamento contínuo, a capacitação e o apoio psicológico. Também defende maior integração das polícias e boletim de ocorrência unificado

Cracolândia: oferecer tratamento, moradia e oportunidade de trabalho aos usuários de droga

Abraham Weintraub (Brasil 35)

Segurança Pública: firmar e fortalecer pactos bilaterais entre o estado de São Paulo e os países que são afetados pelo crime organizado e ampliar os acordos internacionais de cooperação jurídica para fins de extradição de membros de máfias e de demais grupos de tráfico de drogas.

Cracolândia: priorizar o combate ao crack, promover ações contra a cocaína e viabilizar meios para a internação compulsória de alguns grupos de usuários. Prender e manter preso o traficante

Altino Junior (PSTU)

Segurança Pública: reduzir a miséria no estado e passar, para a sociedade, o controle das polícias Militar e Civil

Cracolândia: reforma urbana para garantir mais moradias no Centro, unificação de assistência social da saúde do município e do estado, apoio de entidades que atuam na região com esse público.

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Lula entra pro TikTok e supera engajamento de Bolsonaro na 1ª semana

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Lula e Bolsonaro
Ricardo Stuckert / Divulgação e Presidência da República

Lula e Bolsonaro

Líder nas pesquisas de intenção de voto na disputa ao Palácio do Planalto, o ex-presidente Lula (PT) chegou atrasado no TikTok, mas alcançou resultados relevantes e fez frente à conta de Jair Bolsonaro (PL) na semana de estreia. O petista abriu sua conta oficial na rede social chinesa no último dia 20, oito meses após a chegada de Bolsonaro, e, mesmo longe do 1,8 milhão de seguidores do presidente, superou o engajamento do adversário. Segundo especialistas, a marca é positiva para o petista, que busca recuperar o terreno perdido nas redes sociais, área dominada pelo presidente e seus seguidores.

Um relatório dos pesquisadores Djiovanni Marioto, da Universidade Federal do Paraná (UFPR), e Luiza Mello, da Universidade Federal Fluminense (UFF), analisou os vídeos dos dois presidenciáveis entre os dias 20 e 26. Nesse período, Bolsonaro fez 23 postagens, criticando diretamente Lula em pelo menos 4. A grande maioria dos conteúdos reproduz discursos do presidente em agendas públicas e imagens de motociatas.

Já Lula fez 9 postagens, citando Bolsonaro em apenas uma. Segundo o levantamento, o vídeo do petista com mais engajamento mostra o ex-presidente fazendo uma “sarrada no ar” ao lado de jovens da militância do PT. O conteúdo teve aproximadamente 63,5 mil curtidas, 7,8 mil compartilhamentos e 5,6 mil comentários. Na gravação, Lula também faz o sinal de “hang loose” após pedido dos correligionários.

No mesmo intervalo, o vídeo com melhor performance de Bolsonaro, em que ele destaca feitos de seu governo no campo econômico, teve cerca de 52 mil curtidas, 3 mil compartilhamentos e mil comentários. Bolsonaro só ganha de Lula na quantidade de visualizações, com 470 mil reproduções de seu vídeo contra 428 mil do de Lula.

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Para Djiovanni Marioto, os dados demonstram uma estratégia acertada do candidato petista na rede, que tem investido em vídeos com estética jovem, com música, dança e ao lado de influenciadores que já fazem sucesso no TikTok, como Deolane Bezerra, conhecida como Dra Deolane. Já Bolsonaro foca em postagens institucionais, reproduzindo falas e discursos.

Marioto destaca, no entanto, que houve um atraso para o ingresso de Lula na plataforma:

“Ele chegou atrasado e isso é um ponto importante porque a gente já tem o engajamento de um perfil oficial do Bolsonaro há um bom tempo, já com selo de verificação, tendo milhões de curtidas e visualizações. O perfil do Bolsonaro no TikTok já se tornou um canal de divulgação consolidado” avalia o pesquisador, ressaltando que para Lula se aproximar de Bolsonaro na rede, precisa manter a constância de suas publicações.

O prejuízo para Lula causado pela demora em ingressar na plataforma fica evidente em uma análise geral do engajamento de todos os perfis dos principais presidenciáveis, considerando o histórico das contas. Nesse comparativo, que além de Bolsonaro inclui o candidato do PDT, Ciro Gomes, o deputado federal André Janones (Avante), Pablo Marçal (Pros) e Simone Tebet (MDB), Lula fica na frente apenas da senadora.

Bolsonaro vence a disputa, com um grau alto de engajamento. Ele é seguido por Ciro Gomes, que posta vídeos no TikTok desde abril de 2021, e André Janones, ainda sem perfil verificado, os dois com engajamento médio. Em quarto lugar, já com grau de engajamento considerado baixo, fica Pablo Marçal, o “coach messiânico” que divulga mensagens de motivação na rede desde março de 2020. É nesse patamar que aparece Lula, precedido por Tebet. O grau de engajamento foi calculado por Marioto e Luiza Mello a partir da soma de curtidas, seguidores, comentários e compartilhamentos de todos os posts de casa presidenciável e comparada com a média geral.

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O TikTok, aplicativo criado na China, onde os usuários postam vídeos curtos voltados para o entretenimento imediato, tem se tornado cada vez mais relevante dentro do cenário político, principalmente entre os jovens. Em eleições em outros países, como aconteceu na Colômbia, a rede foi primordial para o aumento de popularidade dos candidatos.

Para Marcelo Vitorino, especialista em marketing político e professor no Centro de Inovação e Criatividade da ESPM, o aplicativo deve ser usado com moderação. Ele pontua que nem todo candidato tem características e afinidade com todas as redes e que, mais importante do que apenas se fazer presente, é produzir um conteúdo que seja relevante.

“Os candidatos que optarem pelo uso da rede deverão compreender melhor sua dinâmica, menos focada no pragmatismo e mais focada em entretenimento. Terão que trazer bastidores de suas agendas, informações que faltarem em entrevistas, detalhes de suas vidas, histórias. Fugir da comunicação com “verniz” e entrar em uma mais próxima da vida do eleitor”, explica.

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Fonte: IG Política

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