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Grupo ‘Pretos no Enem’ reúne voluntários para pagar taxa de inscrição de estudantes

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Com a ajuda das redes sociais, jovens conseguiram movimentar uma rede de voluntários de todo o país para pagar as taxas de inscrição do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) de estudantes negros sem condições de quitar os R$ 85 exigidos pelo Ministério da Educação (MEC).

A ação “Pretos no Enem” surgiu depois de a podcaster e publicitária cearense Lyara Vidal, de 24 anos, anunciar a ideia pelo Twitter na terça-feira (2). Em dois dias, o projeto já havia angariado mais de 6,2 mil voluntários.

“Eu li uma notícia sobre as 300 mil pessoas que não fariam o Enem 2020 pela falta de pagamento do boleto, então me ofereci para pagar alguns boletos de ouvintes meus que precisassem dessa força”, conta Lyara.

Pretos no Enem surgiu após publicação na rede social da publicitária ceatense Lyara Vidal, de 24 anos — Foto: Arquivo Pessoal

Pretos no Enem surgiu após publicação na rede social da publicitária ceatense Lyara Vidal, de 24 anos — Foto: Arquivo Pessoal

No mesmo movimento de Lyara, o também podcaster cearense Luan Alencar, de 25 anos, organizou a ação com ajuda do amigo Iago Probo, de 24 anos. Inicialmente em um grupo de mensagens, os amigos não imaginavam a proporção que o movimento ganharia.

“No primeiro momento, era algo muito orgânico. Colocamos em um grupo que tínhamos de financiamento coletivo com 80 pessoas e eu sabia que nem todos poderiam ajudar. Mas, de um dia para o outro, foram 750 pessoas se pronunciando. Em dois dias, já estamos chegando aos 7 mil voluntários”, explica Luan.

De acordo com Luan, os organizadores definiram grupos de tarefas dentro do projeto para organizar a ação e torná-la transparente.

Cinco pessoas têm acesso à planilha com os dados dos voluntários, enquanto outro grupo entra em contato com os estudantes que vão receber o pagamento. A partir daí, outro segmento dentro do projeto faz a ponte entre voluntário e estudante para que o pagamento seja feito.

A ideia do movimento Pretos no Enem surgiu junto com as manifestações antirracistas que ganharam força nos últimos dias após o assassinato de George Floyd, homem negro morto asfixiado por um policial branconos Estados Unidos.

A publicitária Lyara, que também é negra, questiona quais mudanças estão sendo feitas para garantir o acesso de estudantes negros no ensino superior brasileiro.

“Se “somos todos iguais”, por que o acesso às universidades é reduzido? Por que algumas pessoas brancas fraudam cotas? Por que tem tantos brancos em posições de liderança? Por muito tempo, eu fui a única negra na classe, no ambiente de trabalho. Eu não deveria ser exceção. Pretos deveriam estar no ensino superior, é nosso direito!”, diz Lyara.

Os organizadores da ação explicam que, quem quiser se voluntariar, pode conseguir o acesso por meio do Instagram do Pretos no EnemProfessores que conheçam estudantes negros em situação de vulnerabilidade social também podem entrar em contato pela rede social para conseguir ajuda aos alunos.

Leia mais:  Enem 2020: prazo de pagamento da inscrição é adiado para 10 de junho; candidatos devem gerar novo boleto

“O sinal que eu precisava para não desistir de vez”

Jovem Maria Luísa Pereira, de 19 anos, foi a primeira estudante a ser ajudada pelo projeto Pretos no Enem — Foto: Arquivo Pessoal

Jovem Maria Luísa Pereira, de 19 anos, foi a primeira estudante a ser ajudada pelo projeto Pretos no Enem — Foto: Arquivo Pessoal

A estudante Maria Luisa Pereira, de 19 anos, moradora de Vila Isabel, na Zona Norte do Rio de Janeiro, foi a primeira aluna contemplada pelo projeto Pretos no Enem. Sem condições financeiras de pagar a taxa de inscrição neste ano, a jovem entrou em contato com o projeto pelas redes sociais.

“Estava me sentindo péssima de novo porque eu já não tinha tentado em 2019 e desistiria mais um ano. Quando consegui ajuda, me senti motivada, com esperança e com um alívio que pode ter sido o sinal que eu precisava para não desistir de vez”, diz Maria Luísa.

O sonho de cursar Fisioterapia na Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), no entanto, foi adiado por dois anos porque Maria não se sentia preparada para conseguir as altas notas para ingressar no curso com o Ensino Médio que teve.

“Não senti que tinha base totalmente pra fazer o Enem e não tinha dinheiro para pagar um cursinho. Vi as notas de corte muito altas e me senti impotente de conseguir alcançá-las”, conta Maria, que conclui um curso técnico em Administração em um colégio estadual do RJ para conseguir emprego e ajudar os pais enquanto não entra no Enem.

“A gente sabe que é uma taxa proibitiva”

Assim como Maria Luísa, Lyara e Luan, fundadores do projeto Pretos no Enem, apontam a situação como um dos motivos da desigualdade no acesso de pessoas negras ao Ensino Superior no Brasil.

“O Brasil é um país extremamente racista. Você vê a inscrição do Enem a R$ 85, muita gente não consegue pagar. A gente sabe que é uma taxa proibitiva porque um jovem negro de periferia não pode sequer se inscrever no Enem. A gente sabe que essa dificuldade no acesso à universidade é o que faz a gente só ter branco no Ensino Superior”, diz Luan Alencar.

A paraibana Marianna Veríssimo, de 28 anos, primeira voluntária a pagar um dos boletos selecionados pelo projeto, também percebe a desigualdade racial nas salas de aula das universidades e decidiu ajudar assim que viu a ação nas redes sociais.

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“Eu sei o quanto a educação é importante, o quanto foi importante para mim estar em uma universidade há anos atrás. Eu fui estudante de universidade pública. Onde eu estudei, na minha sala, nós não tínhamos praticamente pessoas negras”, diz Marianna.

Na terça-feira (2), o prazo para o pagamento da taxa de inscrição do Enem 2020 foi adiado após cerca de 300 mil candidatos não pagarem os R$ 85, segundo o Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep).

Até esta quarta-feira (3), mais de 5,7 milhões de estudantes tiveram suas inscrições confirmadas para o Enem 2020, contando também aqueles que ficaram isentos do pagamento. Segundo o Inep, para não pagar a taxa de inscrição, é preciso que o estudante tenha:

  • Cursado a última série do ensino médio, em 2020, em escola da rede pública declarada ao Censo Escolar;
  • Cursado todo o ensino médio em escola da rede pública ou com bolsa integral na rede privada e ter renda, por pessoa, igual ou menor que um salário mínimo e meio; e
  • Estar em situação de vulnerabilidade socioeconômica por ser membro de família de baixa renda que possua Número de Identificação Social (NIS), único e válido e ter renda familiar, por pessoa, de até meio salário mínimo ou renda familiar mensal de até três salários mínimos.

Ainda de acordo com o Inep, os candidatos que não pediram a isenção, mas que se encaixam em um dos critérios para receber o benefício, terão direito a ele mesmo sem a solicitação formal.

Luan Alencar, no entanto, diz que muitos estudantes em situação de vulnerabilidade social entram em contato com o projeto porque não conseguiram atender a todas as especificidades do edital do exame.

“A ideia é que o aluno que não conseguiu, por qualquer motivo que seja, a isenção e não tem condições de pagar, venha pra gente e a gente paga”, conclui o podcaster.

Por: G1

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Outra pandemia assusta as famílias brasileiras: A da fome!

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Falta alimentos para mais de 10 milhões de brasileiros e a LBV conta com a sua ajuda para continuar atendendo famílias em vulnerabilidade social e em risco alimentar. Não deixe pra depois, faça a sua parte. Colabore!

Milhares de pessoas não têm o que comer: falta-lhes o alimento básico. Segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), em cinco anos, a fome aumentou no Brasil e já são 10,3 milhões de pessoas que vivem em insegurança alimentar grave no país. A fome é mais prevalente nas áreas rurais, atinge mais os domicílios chefiados por mulheres e quase metade dos famintos são da região Nordeste. Com a pandemia do novo coronavírus os índices de desemprego também aumentaram atingindo a marca de 14,1 milhões de pessoas, de acordo com a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (Pnad) pelo IBGE, divulgada em dezembro/2020. Outra preocupação é a alta nos preços dos alimentos que também afeta as famílias mais vulneráveis, principalmente as que moram com pessoas abaixo dos 18 anos.

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A Legião da Boa Vontade (LBV) continua sua intensa mobilização social, por meio de suas campanhas emergenciais que visam angariar donativos para entregar itens essenciais, a exemplo do leite, que compõe a cesta de alimentos, tão necessário para reforçar a alimentação da família e ajudar no desenvolvimento de crianças.

Por isso, a LBV precisa de doações para continuar prestando o atendimento a milhares de famílias em vulnerabilidade social e em risco alimentar que foram fortemente afetadas com os impactos socioeconômicos da pandemia da Covid-19. A meta da LBV é entregar por meio da Campanha Diga SIM, até agosto, nas cinco regiões do país, 85 mil cestas de alimentos; 242 mil litros de leite; 91 mil kits de higiene e de limpeza; e ainda 20 mil cobertores para famílias que residem em regiões onde o inverno é mais rigoroso, além de continuar com todo atendimento em suas 82 unidades socioeducacionais.

Saiba como ajudar:

Acesse www.lbv.org.br e colabore. Selecione a opção que desejar e, de coração, doe qualquer valor. Se preferir, faça uma transferência bancária pelo PIX oficial da LBV: pix@lbv.org.br.

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Contas Bancarias:

Bradesco: Agência: 0292-5 — C/C: 92830-5

Itaú: Agência: 0237 — C/C: 73700-2

Banco do Brasil: Agência: 3344-8 — C/C: 205010-2

Caixa Econômica Federal: Agência: 1231 — operação: 003 — C/C: 100-0

Santander: Agência: 0239 — C/C: 13.002754-6

Confira essas e outras ações realizadas pela LBV no endereço @lbvbrasil no Facebook, no Instagram e no YouTube.

Por: LBV – Legião da Boa Vontade

 

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