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Rússia afirma que deseja derrubar o governo da Ucrânia

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Putin, presidente da Rússia e Zelensky, presidente da Ucrânia
Montagem iG / Imagens: Wikimedia Commons

Putin, presidente da Rússia e Zelensky, presidente da Ucrânia

A Rússia admitiu explicitamente, pela primeira vez, que um de seus objetivos com a invasão da Ucrânia é tirar o presidente Volodymyr Zelensk y do poder em Kiev. A afirmação foi feita no domingo pelo chanceler de Vladimir Putin, Sergei Lavrov, durante uma cúpula da Liga Árabe, no Cairo, exatos cinco meses após a guerra eclodir, em 24 de fevereiro.

“Russos e ucranianos vão continuar a viver juntos, e nós com certeza vamos ajudar o povo ucraniano a se livrar deste regime que é absolutamente antipopular e anti-histórico”, disse Lavrov, no Egito, acrescentando ainda que Moscou irá ajudar a ex-república soviética a se “livrar do fardo deste regime absolutamente inaceitável”.

Desde o início da guerra, a Rússia é propositalmente ambígua sobre os objetivos de sua campanha militar, alegando, inicialmente, buscar a “desmilitarização” e “desnazificação” da Ucrânia — este último item era em geral entendido como uma mudança de regime em Kiev.

O próprio Putin chegou a se referir à alta cúpula ucraniana como uma “gangue de viciados em drogas e neonazistas”, e, em 25 de fevereiro, o dia seguinte à invasão, conclamou os militares ucranianos a deporem Zelensky. Porém, no início de março, quando os dois lados ainda negociavam um cessar-fogo, a porta-voz da Chancelaria russa, Maria Zajarova, disse que a derrubada de Zelensky não estava entre as metas de Moscou.

Com o fracasso do cerco inicial a Kiev, de abril até o início deste mês a ofensiva russa se concentrou no Leste da Ucrânia, onde forças separatistas pró-Moscou já ocupavam parte do território desde 2014. Esses esforços permitiram ao Kremlin tomar todo o território da província de Luhansk e, se conseguirem tomar também a vizinha Donestk, os russos terão o controle de toda a bacia do Donbass.

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Endurecimento retórico As declarações de Lavrov no Cairo marcam um endurecimento retórico que começou na semana passada, quando o próprio chanceler, em longa entrevista à TV estatal russa, disse que os objetivos do Kremlin mudaram de novo e agora vão além do controle do Donbass.

Na mesma entrevista, Lavrov já insinuou planos de mudança de regime, quando afirmou que, enquanto as potências ocidentais continuassem “enchendo” a Ucrânia de armas, isso faria a Rússia “expandir ainda mais a sua linha”.

“Não podemos permitir que a parte da Ucrânia que [Volodymyr] Zelensky ou quem o substituir controlará tenha armas que representem uma ameaça direta ao nosso território”, disse então.

Na ocasião, Lavrov também afirmou que “não fazia sentido” manter negociações de paz com Kiev no momento atual, dizendo que os EUA e seus aliados europeus estão “impedindo a Ucrânia de quaisquer passos construtivos” para um acordo. A advertência foi uma referência ao fato de Zelensky ter passado a insistir na reconquista por Kiev de todo o território ucraniano, incluindo o Donbass e a Península da Crimeia, anexada por Moscou em 2014.

A visita de Lavrov ao Cairo foi mais uma demonstração de Moscou de que o país não está isolado diplomaticamente, como querem nações como os EUA e a União Europeia. Na semana passada, Putin esteve em Teerã, onde se encontrou com lideranças locais, como o presidente Ebrahim Raisi e o líder supremo, aiatolá Ali Khamenei, e com o presidente da Turquia, Recep Tayyip Erdogan.

A viagem do chanceler, que também inclui Uganda, Etiópia e Congo, tem essencialmente o objetivo de atrair as nações africanas para o lado russo. Em um artigo publicado em quatro jornais africanos, ele elogiou o que descreveu como um “caminho independente” adotado pelos países africanos em rejeitar aderir às sanções ocidentais contra a Rússia e as “indisfarçadas tentativas dos EUA e de seus satélites europeus de ganhar vantagem e impor uma ordem mundial unipolar”.

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No Cairo, Lavrov encontrou uma plateia afável: ali, nenhum governo condenou publicamente a guerra na Ucrânia, e todos evitam fazer críticas abertas a Moscou, apontando para os longevos laços políticos e, especialmente, econômicos: no caso dos grãos, a Rússia é o principal fornecedor para boa parte das nações árabes.

Histórico das alegações A insistência do Kremlin de que Kiev é liderada por neonazistas — apesar do próprio Zelensky ser judeu — tem origens históricas, datando da invasão da Ucrânia por forças alemãs durante a Segunda Guerra Mundial.

À época, alguns nacionalistas apoiaram as forças de Adolf Hitler, fosse por simpatia aos ideias ou para fazer oposição à União Soviética, após a política stalinista de coletivização agrícola que matou 3 milhões de pessoas ter duros impactos para os ucranianos na década anterior.

Esse alinhamento às forças de ocupação alemãs é citado por aliados de Putin como uma prova de que o nazismo “reside” na alma ucraniana.

Com o desmantelamento da União Soviética, em 1991, e o aumento do sentimento nacionalista, alguns grupos neonazistas ressurgiram, inclusive em Kiev, onde ganharam algum destaque após a revolta popular iniciada em 2013 e que derrubou o governo pró-Moscou de Viktor Yanukovich, no ano seguinte. Desde então, atuam na luta contra separatistas russos.

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Fonte: IG Política

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Flow: Bolsonaro volta a defender remédios ineficazes contra a Covid-19

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Jair Bolsonaro sendo entrevistado no Flow Podcast
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Jair Bolsonaro sendo entrevistado no Flow Podcast

Em entrevista ao podcast “Flow”, o  presidente Jair Bolsonaro (PL) disse que “o Brasil é o país com menos sofreu com a Covid-19” logo no início da conversa. Hoje, o país ultrapassa o número de 680 mil mortes por conta do coronavírus. O candidato à Presidência também questionou a imunização contra a doença e voltou a defender os medicamentos ineficazes.

O mandatário ainda admitiu ter recebido orientações para evitar o assunto para perder eleitores, mas disse não se importar e que prefere dizer “a verdade”, segundo ele.

Apesar da fala de Bolsonaro, pesquisas mostram a queda no número de mortes acompanham o avanço da vacinação. Ele ainda disse que preferiu não se vacinar contra a Covid-19, embora tenha imposto sigilo de cem anos em sua carteira de vacinação.

“O pessoal me recomenda: ‘não toque nesse assunto’. Poxa, eu tenho que valar a verdade para o pessoal. Não quer votar mais em mim, lamento, né, posso fazer o quê? Eu tenho que falar a verdade”, disse o presidente.

Enquanto Bolsonaro falava sobre a questão da pandemia durante a entrevista, o programa exibido pela plataforma Youtube, destacava na legenda: “Lembre-se de pesquisar tudo o que foi dito neste programa”.

“Eu não tomei vacina. Me recomendaram até a tomar uma água destilada. Eu não vou. Posso enganar a você, mas não vou enganar a mim. Influencia alguns (a não tomar a vacina). Não é que a minha palavra tá valendo, eles foram ler a bula”, disse.

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Bolsonaro citou estudos de Israel que apontam a perda de eficácia da vacina da Pfizer. Entretanto, a aplicação da quarta dose para adultos acima de 40 anos, imunossuprimidos e profissionais de saúde quatro meses após a terceira dose, é recomendada pelo Ministério da Saúde.

Apesar das críticas, Bolsonaro disse que as doses de vacina contra o coronavírus seguirão sendo disponibilizadas:

“Tem gente que quer tomar a terceira, quarta dose. Sem problema nenhum, enquanto quiser tomar, vamos dar a vacina. Agora, respeite quem não quer tomar a vacina”, disse.

Ademais, o presidente  voltou a defender medicamentos comprovadamente ineficazes contra a Covid-19, como a hidroxicloroquina.

“Eu acho que deviam tomar. Eu tomei e fiquei bem, 90% tomaram e tão bem”.

Bolsonaro ainda diz que a “liberdade médica” foi cassada durante a pandemia.

“O meu ministro da saúde, o tal do Mandetta, ele fez um protocolo e quem tava com Covid ia pra casa e quando sentia falta de ar, ia para o hospital. Aí eu falei ‘ vai pro hospital fazer o que? Ser intubado?’. Por que você não garante a liberdade do médico de clinicar seu paciente? Porque o médico sabe disso. Se chega alguém que tá passando mal que pode morrer, ele pode receitar alguma coisa em comum acordo com o paciente ou com a família”.

O Chefe do Estado também comentou sobre a questão do contrato da Pfizer ter chegado no Brasil e ele não ter aceitado prontamente, questão tratada durante a CPI da Covid, onde foi divulgado que 101 e-mails com ofertas de venda e reforço da disponibilidade das doses foram ignorados pelo governo brasileiro, o que poderia ter adiantado o  início da vacinação no Brasil.

Bolsonaro justificou que a oferta chegou em maio de 2020 e não aceitou, pois, segundo ele, a farmacêutica não se responsabilizava pelos efeitos colaterais.

“Me acusam de não ter comprado vacina. Li o contrato da Pfizer e tava escrito: “Não nos responsabilizamos pelos efeitos colaterais”. Falei não, pô”.

Antes de estar disponível para o cidadão, qualquer vacina ou medicamento passa primeiramente pela Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária). A agência avalia os estudos de eficácia da vacina, ou seja, quanto que ela funciona, e os estudos de segurança, isto é, as reações adversas, efeitos colaterais e problemas observados nas pessoas que se vacinaram. Ou seja, é verdade que as empresas não se responsabilizam pelos possíveis efeitos colaterais, mas ela dispõe de dados, resultados e acompanhamentos para que uma agência de saúde possa aprovar ou não um imunizante com segurança. Se aprovado, é porque a vacina tem sua segurança cientificamente comprovada.

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Fonte: IG Política

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