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Por que o novo filme do ‘Exterminador do Futuro’ está irritando pesquisadores de inteligência artificial

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Quando o personagem de Arnold Schwarzenegger diz “eu vou voltar” nos filmes da série Exterminador do Futuro, ele fala sério: na semana passada, o filme O Exterminador do Futuro: Destino Sombrio, o sexto da franquia, estreou no Brasil.

Mas nem todo mundo gostou da novidade. Em laboratórios da Universidade de Cambridge, do Facebook e da Amazon, pesquisadores ficaram irritados. Eles temem que o filme leve o público a se enganar sobre os verdadeiros perigos da inteligência artificial (IA).

Pioneiro no desenvolvimento da IA, o cientista Yoshua Bengio disse à BBC News que não gostou dos filmes da franquia por diversas razões.

“Eles criam uma imagem que não é coerente com o atual entendimento que se tem sobre como os sistemas de IA funcionam no presente e no futuro próximo”, diz Bengio, que é conhecido como um dos “padrinhos da IA” pelo seu trabalho com o tema nas décadas de 1990 e 2000.

Bengio foi um dos pioneiros no desenvolvimento de deep learning (aprendizado profundo, em inglês), um dos ramos do machine learning (aprendizado de máquina), um método de “ensinar” sistemas de inteligência artificial a reconhecer padrões que são óbvios para o cérebro humano.

“Estamos muito longe de sistemas de IA superinteligentes e pode haver alguns obstáculos muito grandes para ir muito além da inteligência humana”, diz ele.

O pesquisador Yoshua Bengio posa sorrindo em frente a um fundo vermelho

Da mesma forma que o filme Tubarão despertou medos não necessariamente justificados sobre tubarões em muitas pessoas, filmes pós-apocalípticos como O Exterminador do Futuro podem gerar temores infundados sobre sistemas todo-poderosos e incontroláveis de IA — o que estaria muito distante da realidade, segundo especialistas.

“A realidade é que isso não vai acontecer”, diz Edward Grefenstette, pesquisador na unidade de pesquisa em IA do Facebook em Londres.

No novo filme, ciborgues causam caos e controlam o mundo. Na vida real, robôs ou outros sistemas que usam IA são capazes de jogar jogos de tabuleiro e de reconhecer rostos de pessoas em fotos. E, embora façam essas coisas melhor do que um ser humano, eles estão muito longe de serem capazes de controlar um corpo humano.

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“Os sistemas mais avançados de hoje não são capazes nem de controlar o corpo de um rato”, afirma Bengio, que fundou a empresa canadense Element AI, de pesquisa em IA.

Os sistemas de inteligência artificial de hoje têm grande dificuldade de dominar mais de uma tarefa, por isso são conhecidos como “IA estreita”, em oposição à “IA geral”.

Retrato do pesquisador Neil Lawrence, com uma casa ao fundo

O pesquisador Neil Lawrence, que ensina machine learning na Universidade de Cambridge, diz que seria mais apropriado chamar boa parte da tecnologia de IA de hoje de “computação e estatística”.

“A maior parte do que chamamos de IA hoje é o uso de grande capacidade computacional combinada com muitos dados, para selecionar correlações estatísticas”, diz ele, que antes trabalhava na Amazon.

Personalidades como o empresário Elon Musk ajudaram a levar pessoas a achar que O Exterminador do Futuro poderia se tornar realidade em um futuro não tão distante. Ele já disse, por exemplo, que a IA é “potencialmente mais perigosa que bombas nucleares”.

Mas a comunidade de pesquisadores de IA não tem certeza sobre o quanto a IA se desenvolverá nos próximos 5 anos, muito menos nos próximo 10 ou 30 anos.

Também há muito ceticismo na comunidade sobre se os sistemas de IA poderão, algum dia, atingir o mesmo nível de inteligência de seres humanos — ou se isso é desejável.

“Normalmente, quando as pessoas falam sobre os riscos de IA, elas imaginam cenários onde as máquinas alcançaram uma ‘inteligência artificial geral’ e têm habilidades cognitivas para agir muito além do controle e das especificações passadas por seus criadores humanos”, diz Grefenstette.

“Como todo respeito a pessoas que falam sobre os perigos da inteligência artificial geral e sobre sua iminência, essa é uma perspectiva irrealista”, diz ele. “Os recentes avanços em IA ainda são focados, invariavelmente, no desenvolvimento de certas habilidades muito específicas, dentro de um domínio controlado.”

Arnold Schwarzenegger no filme 'O Exterminador do Futuro'

Os verdadeiros riscos da IA

Nós deveríamos estar mais preocupados sobre como os humanos abusam dos poderes oferecidos pela IA, diz Bengio.

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Como a IA aprofundará a desigualdade? Como a IA será usada na vigilância? Como ela será usada na guerra?

Lawrence, da Universidade de Cambridge, afirma que o filme pode fazer as pessoas refletirem sobre como as guerras serão no futuro.

A ideia de sistemas relativamente primitivos de IA controlando máquinas de matar é assustadora, diz Bengio.

Joanna Bryson, por outro lado, que lidera o grupo de sistemas inteligentes na Universidade de Bath, diz ser “bom que as pessoas pensem nos problemas gerados por sistemas de armamento autônomos”.

Os cientistas afirmam que não precisamos esperar pelo futuro para ter uma ideia de possíveis danos causados pela IA. Sistemas de reconhecimento facial já estão sendo usados para encontrar a oprimir minorias na China, robôs estão sendo usados para manipular eleições nos EUA e vídeos de deep fake (vídeos forjados muito realistas) já são comuns hoje em dia.

“A IA já está ajudando as pessoas a destruir democracias, estragar as economias e corromper o Estado de Direito”, diz Bryson.

Retrato da pesquisadora Joanna Bryson sorrindo, com fundo neutro

Felizmente, muitos pesquisadores em IA também trabalham para garantir que seus sistemas tenham um impacto positivo na sociedade, concentrando seus esforços em melhorar os sistemas de saúde e combater a mudança climática causada pelo homem.

Em última instância, a responsabilidade de comunicar o verdadeiro estágio de desenvolvimento da IA está com a mídia, dizem os cientistas.

Eles criticam, por exemplo, casos de veículos jornalísticos usando fotos dos filmes da franquia de O Exterminador do Futuro em reportagens sobre avanços na tecnologia.

Bryson diz que jornalistas escrevendo reportagens sobre IA deveriam “mostrar fotos dos cubículos nos escritórios onde as pessoas estão de fato desenvolvendo a IA”.

“A imprensa precisa parar de tratar a IA como um tipo de descoberta científica que foi encontrada em uma escavação ou encontrada em Marte. Inteligência artificial é apenas uma tecnologia que as pessoas usam para fazer coisas.”

Ela tem um argumento justo. Mas seja honesto, você teria clicado nessa matéria se ela não tivesse a foto de um robô assassino?

Por BBC

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Criminosos clonam WhatsApp com facilidade; saiba como evitar

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Criminosos clonam as contas das vítimas no WhatsApp


Poucos minutos depois de postar um anúncio na OLX , o jornalista Gustavo Lameira recebeu uma ligação de um homem que dizia ser funcionário da plataforma de classificados. O rapaz disse que precisava confirmar os dados de Gustavo para finalizar a publicação do anúncio e que, para isso, precisava que ele passasse um código que seria enviado por SMS . Assim como muitos outros brasileiros, Gustavo foi vítima de um golpe que vem se tornando cada vez mais frequente: a clonagem do WhatsApp. 

Nessa fraude , o objetivo dos criminosos é tomar posse da conta de WhatsApp da vítima , se passando por ela. Assim, começa a enviar mensagens para familiares e amigos próximos, geralmente pedindo dinheiro emprestado. Por acreditarem que se trata de alguém conhecido, as pessoas enviam o dinheiro que, na verdade, é roubado. 

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Para controlar a conta de WhatsApp de alguém, porém, o criminoso precisa do código de verificação que o aplicativo de mensagens envia por SMS para o número de celular cadastrado. E é por isso que o fraudador entra em contato com a vítima solicitando esse código, e usando uma desculpa qualquer para que a pessoa não perceba que o número passado é, basicamente, a senha de acesso ao seu WhatsApp.

Na maioria das vezes, a história que as vítimas escutam é justamente a mesma que Gustavo ouviu: o criminoso se passa por funcionários de empresas de anúncios online, como OLX e Mercado Livre . Isso porque é justamente de lá que eles tiram os números de telefones das vítimas, que ficam expostos nos anúncios. 

Isso não vai acontecer comigo

O golpe da clonagem de WhatsApp pode parecer muito simples, já que o fraudador sequer precisa usar qualquer tipo de técnica hacker para finalizar a operação – basta conquistar a confiança da vítima. Apesar da simplicidade, não é tão difícil assim cair nessa fraude.

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Gustavo ainda não acredita que se deixou levar pela conversa do criminoso, mas diz que preferiu agir de boa fé e confiar no rapaz, já que é assim que ele costuma agir com qualquer pessoa. E não faltou desconfiança por parte de Gustavo, que conversou com o golpista no telefone por alguns minutos antes de ceder qualquer informação – ele disse que não passaria dados pessoais, mas apenas o código. “Eu achei estranho, mas fiquei dividido. É verdade, não é, eu passo o código, não passo? E agi de boa fé, como eu ajo com as pessoas, só que nessa aí eu dancei”, lamenta o jornalista. 

Confirmação em duas etapas

A sorte de Gustavo foi a confirmação em duas etapas , recurso de segurança do WhatsApp que permitiu que sua conta não fosse clonada por completo – pelo menos é o que ele acredita até o momento, já que ainda não conseguiu reaver sua conta no mensageiro. 

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A confirmação em duas etapas permite que qualquer usuário c adastre uma senha no WhatsApp , que será solicitada toda vez que houver uma tentativa de acesso à conta em outro dispositivo. No caso do golpe da clonagem, mesmo com o código do SMS, o criminoso não conseguiria acessar a conta sem essa segunda senha. 

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Foi o que aconteceu com Gustavo. Depois de passar o código , o fraudador chegou a pedir essa segunda senha a ele. Ainda mais desconfiado, o jornalista desligou. “Nesse momento, eu coloquei um pouco de maldade”, conta. O WhatsApp de Gustavo está bloqueado para ele, mas ele acredita que a outra pessoa não tenha conseguido acessá-lo, já que nenhum contato próximo recebeu mensagem do criminoso se passando por ele. Além disso, em um teste, um amigo de Gustavo enviou uma mensagem a ele no WhatsApp, e o aplicativo indicou que ela sequer foi recebida. “Não dancei por completo, mas pelo menos a dor de cabeça eu vou ter por uns dias”, diz o jornalista. 

Depois de perceber que seu WhatsApp estava desativado, Gustavo tentou se logar novamente, e recebeu um aviso de que só poderia tentar novamente dentro de 7h. “Eu trabalho na produção de um programa de rádio, vou ficar sem contato com repórter e com os outros grupos de WhatsApp por conta disso. Vai ser um dia meio de transtorno para mim”, diz o jornalista. 

Ver essa foto no Instagram

Bom dia, amigos. Acabei de cair em um golpe por telefone e perdi minha conta no WhatsApp. Coloquei um anúncio no OLX. Daí recebi uma ligação com DDD 11 pedindo que confirmasse o código enviado por SMS pro meu telefone, o que confirmaria a veracidade do anúncio. Passei o código e com esse o pilantra instalou no celular dele minha conta de WhatsApp. Para o aplicativo, fiz apenas uma simples troca de aparelho. Tentei reativar o WhatsApp no meu aparelho e fui informado que a conta havia sido acessada recentemente, e que devo fazer nova tentativa em sete horas… Cuidado: se pedirem empréstimo em meu nome ou enviarem qualquer outra msg suspeita, saibam que não sou eu. * Repliquem essa msg, por favor Obrigado.

Uma publicação compartilhada por Gustavo Lameira (@lameira.gustavo) em 28 de Out, 2019 às 4:33 PDT

A confirmação em duas etapas é uma das principais dicas para evitar cair nesse golpe, recomendada fortemente pelo próprio WhatsApp. 

Como evitar ter seu WhatsApp clonado

Como a clonagem de contas do WhatsApp se tornou muito recorrente no Brasil, a empresa mudou a forma de enviar as mensagens de verificação por SMS . “O WhatsApp implementou um alerta nas mensagens de verificação de conta, avisando seus usuários a não compartilharem o código recebido via SMS, uma vez que essa senha é pessoal e dá ao usuário a segurança de acesso”, afirma o WhatsApp em nota à imprensa. 

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Ainda assim, na hora da ligação, é possível que a pessoa nem repare no que está escrito na mensagem. Por isso, a principal dica é: não passe códigos de verificação por telefone . OLX e Mercado Livre  afirmam que não solicitam esse tipo de ação a seus clientes e, então, sempre que receber uma ligação deste tipo, desconfie.

“Desconfie de pessoas que entram em contato com você afirmando que são representantes da OLX, principalmente se forem feitas solicitações como pagamentos, envio de produtos, senhas ou documentos pessoais. A OLX não faz esse tipo de abordagem nem condiciona a publicação de seu anúncio ao envio de qualquer informação pessoal”, se posicionou a OLX. 

Já o Mercado Livre disse que “não utiliza o recurso de envio de código para confirmação de compra e/ou venda na plataforma. A empresa utiliza sim, como recurso de segurança, o envio de código para validação de acesso à conta quando o usuário faz o acesso por um novo dispositivo (celular, desktop, notebook ou tablet)”. Ambas as empresas sugerem que seus usuários façam as transações de venda dentro da própria plataforma, via chat, para que haja mais segurança. 

Meu WhatsApp foi clonado, e agora?

Com a confirmação em duas etapas e a atenção redobrada com os SMS com códigos de verificação , fica mais difícil cair no golpe da clonagem do WhatsApp. Mas se você já caiu nessa fraude, é importante saber que o criminoso não terá acesso às suas conversas anteriores. “Em caso de tentativa de roubo de conta, o WhatsApp também ressalta que a criptografia de ponta a ponta do aplicativo não é comprometida. Ou seja, o golpista não tem acesso a mensagens anteriores que estão armazenadas no seu telefone”, afirma o WhatsApp. Apesar disso, é importante seguir alguns passos assim que perceber que teve a conta roubada:

  • Entre no WhatsApp com seu número de telefone e confirme o código de 6 dígitos que você receber via SMS. Assim, qualquer outra pessoa que estiver acesso à sua conta será desconectado automaticamente;
  • Avise amigos e familiares que sua conta foi clonada, para que eles não acreditem caso alguém tente se passar por você na plataforma;
  • Se não estiver conseguindo ter o acesso à sua conta do WhatsApp , entre em contato com o suporte do aplicativo através do email: support@whatsapp.com;
  • Faça um boletim de ocorrência sobre o roubo da conta; 

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