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Ômar Souki – Meditação e longevidade

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Gary Small, no livro A ciência da longevidade (Editora Equilíbrio), sugere que a prática da meditação tem influência positiva na saúde e, conseqüentemente, na longevidade. As pessoas que param para respirar fundo, e contemplar, conseguem aumentar a sua atenção aos pensamentos, sentimentos e estados físicos. Com isso podem perceber quando já comeram o suficiente, por exemplo, e podem controlar o peso com mais facilidade. Quem tem o hábito de praticar o silêncio tem também mais facilidade de escutar os outros com atenção plena, o que melhora os relacionamentos. Se fossem somente esses os resultados da meditação, ela já seria altamente recomendável. Mas, os frutos dessa prática vão além.

Facilita a cura de doenças. Uma pesquisa mostrou que pacientes que ouviram uma fita de meditação durante um tratamento curaram-se quatro vezes mais rápido do que os pacientes que não meditaram. Small afirma que a meditação regular pode prolongar a vida. Mais de duzentos voluntários de meia-idade e idosos foram acompanhados durante oito anos. Todos apresentavam níveis moderados de hipertensão, doença que tende a se agravar com o estresse do dia-a-dia. Os que meditavam regularmente apresentaram uma taxa de mortalidade 23% menor que os demais. Mortes por doença cardiovascular foram 30% menos freqüentes, e as taxas de mortalidade de câncer foram 49% mais baixas naqueles que meditavam, em comparação com os que não adotavam essa prática. A meditação, ou oração silenciosa, conduz a estados de profundo relaxamento físico e mental. Ela não só nos traz uma sensação de tranqüilidade, como também altera a nossa fisiologia: taxas de respiração e batimentos cardíacos diminuem, a pressão sanguínea abaixa e os músculos se relaxam.

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Em 2003 fui apresentado a uma forma de meditação chamada oração centrante. Fiz um retiro espiritual com Thomas Keating, um monge beneditino. Ele era o próprio resultado da prática da meditação, pois estava com mais de 80 anos e apresentava invejável vigor físico e disposição. Durante um fim de semana, Keating nos ensinou como silenciar a mente. O objetivo principal dessa prática era nos aproximar de Deus. Só conseguiríamos isso através do silêncio do coração. Um estado em que não prestamos mais atenção aos pensamentos. Deixamos que eles passem. Não os desenvolvemos. Não importa qual seja a natureza dos pensamentos. Sejam eles bons ou nem tão bons assim, a meta é não nos apegarmos a eles. Para isso usamos alguns recursos, entre eles a respiração. Ao esvaziarmos os pulmões imaginamos que estamos soprando uma vela. Com esse sopro também buscamos nos esvaziar de nossos medos, preocupações e culpas. Inspiramos a paz. Se os pensamentos insistirem, podemos recorrer à repetição de uma palavrinha: paz, luz, amor, etc. (a escolha é nossa). Quando a mente silencia paramos de recitar a palavra.

Quando iniciamos essa disciplina podemos nos frustrar porque, em geral, nossa mente está acostumada a ser dominada pelos pensamentos. São as culpas, mágoas e remorsos do passado e as preocupações, medos e ansiedades relativas ao futuro. É comum ver pessoas se consumindo devido a coisas que aconteceram a anos, ou se estressando por coisas que ainda não aconteceram. Não conseguiremos aumentar a nossa intimidade com Deus, nem no passado, nem no futuro, porque Deus vive no Presente. Deus é o Presente! Você já tentou respirar no passado? E no futuro? Apenas respiramos no presente, por isso podemos iniciar nossa rotina de meditação nos utilizando da respiração profunda. Soltando as mágoas, as culpas, as preocupações e os medos e inspirando a paz. Por mais frustrante que possa ser no início, essa disciplina trará resultados maravilhosos. O melhor de todos é o aumento de nossa intimidade com Deus. Ele, o Nosso Criador, sabe exatamente de que precisamos.

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No momento da contemplação não é preciso fazer pedidos, pedir perdão ou fazer agradecimentos. A única necessidade que temos é a de escutar. Escutar a Deus! Essa escuta plena irá nos indicar o melhor caminho. Nas Sagradas Escrituras, antes de passar os seus mandamentos, Deus disse: “Escuta, Israel!”. Ao meditarmos estamos obedecendo a esse mandamento, ao mandamento da escuta. Nessa atitude contemplativa nos colocamos à disposição do Criador. Ele então nos orienta sobre qual é o melhor caminho a seguir. As orientações aparecem através de sentimentos, intuições, sonhos e até mesmo do encontro com pessoas que nos falam aquilo que precisávamos ouvir. Com essa prática, aumentamos o número de “coincidências” positivas. Vamos aos lugares certos, nos encontramos com as pessoas certas e realizamos as tarefas que realmente precisávamos realizar para o nosso bem e para o bem de todos.

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Ômar Souki: Onde encontrar motivação?

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O despertador toca e você se vira na cama com muito sono ainda para ser dormido. Será que posso ficar mais aqui? Eu adoraria, mas tenho que ir. Com enorme desânimo sai da cama se perguntando: onde encontrar motivação para a vida?

Sim, a natureza já está alegremente desperta. Apesar da chuva, os pássaros se motivaram para cantar a glória de um novo dia. Também as crianças já foram saltitantes rumo a escola. Será por que somente os adultos não acham ânimo em suas manhãs?

Uma das prováveis razões é porque deitamos tarde. Temos muito que fazer e nossos dias estão cada vez mais curtos. Não dá tempo para nada, todos reclamam. As tarefas se acumulam e é preciso usar parte da noite para dar conta dos compromissos assumidos. As cobranças se amontoam sobre nossas costas: é a família exigindo atenção, o chefe querendo mais produtividade, o curso de pós graduação pedindo a conclusão dos trabalhos, os livros que clamam para ser lidos, etc. Sonhamos com as férias de fim-de-ano, mas depois de um breve descanso, tudo volta ao normal, isto é, à mesma correria de sempre.

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É justamente esse fazer desenfreado que nos rouba as energias e detona com o nosso ânimo. Sim, o fazer é necessário, mas não é tudo. Precisamos parar com freqüência. Isso não nos foi ensinado nem na escola, nem em casa. É importante encontrar tempo para nós mesmos e para o Reino que existe em nós.

Mais do que nunca precisamos seguir o conselho de Jesus de Nazaré: “Busquem em primeiro lugar o Reino dos Céus e tudo o mais lhes virá por acréscimo”. Essa foi a sugestão que Ele deu aos seus apóstolos quando eles se encontravam assoberbados de tarefas. Eles não entenderam e lhe perguntaram onde é que ficava esse lugar. E o Divino Mestre esclareceu: “o Reino dos Céus se encontra dentro de vocês”.

Como entrar dentro de nós mesmos? O barulho em nossas cabeças é infernal. Os pensamentos se revezam. Frequentemente nos culpamos pelas coisas que não conseguimos fazer ou que fizemos pela metade. Vivemos na expectativa de sermos punidos. A vida transcorre entre as acusações e culpas do passado e o medo dos castigos que nos aguardam no futuro. Um lugar pouco visitado é o presente. Paramos pouco no agora. Mas é de fundamental importância para a nossa sanidade e para o aumento de nossa motivação.

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Buscar o presente é a nossa principal responsabilidade. Mesmo que os pensamentos o instiguem a viver ou no passado ou no futuro, respire fundo e busque se inserir no agora. Procure um lugar tranqüilo onde possa permanecer em quietude por, pelo menos quinze minutos. Faça isso pela manhã, antes de começar o dia, e à noite, antes de adormecer.  Em vez de sair correndo e fazendo as coisas sem preparação, pare. Reflita antes de cada tarefa e considere sua atividade como uma oração de louvor ao Criador. Faça tudo para a maior glória Daquele que tudo pode. Pois, acredite, Ele, somente Ele, poderá aumentar o seu ânimo, o seu entusiasmo, o seu otimismo e a sua fé para seguir em frente, apesar dos pesares.

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