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Nem metade da população de rua de Rio, SP e DF tem título de eleitor

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Nem metade da população de rua de Rio, São Paulo e Distrito Federal tem título de eleitor
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Nem metade da população de rua de Rio, São Paulo e Distrito Federal tem título de eleitor

Subrepresentada nas estatísticas oficiais, a população em situação de rua começou a ter a sua condição eleitoral esquadrinhada em três grandes metrópoles: Rio de Janeiro, São Paulo e Distrito Federal.

Neste último, o levantamento da Companhia de Planejamento (Codeplan), em parceria com a Secretaria de Desenvolvimento Social do DF, divulgado em junho, identificou 2.938 moradores de rua no Distrito Federal, dos quais apenas 43,7% têm título de eleitor.

Na capital federal, um percentual ainda maior da população em situação de rua diz que já teve título em algum momento da vida. É o caso de Itamar Nunes, de 52 anos. Natural de Manaus e com ascendência indígena, ele viveu na ruas nos últimos seis anos e tirou o documento recentemente num mutirão do Tribunal de Justiça do Distrito Federal e dos Territórios. Ativista a vida inteira, ele trabalhava na Câmara Municipal de Manaus quando foi a Brasília em busca de tratamento de saúde. Após dois anos, o dinheiro acabou, e ele perdeu tudo, inclusive os documentos.

“Precisamos mostrar que podemos assumir a cidadania plena. A sociedade é formada por pessoas vulneráveis que precisam de propostas que prevejam oportunidades”, resume Nunes, que hoje vive num apartamento com outros ex-moradores de rua e está ansioso para votar pela primeira vez desde que deixou Manaus.

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Poder público

Em São Paulo, o Censo da prefeitura revelou que, no fim de 2021, aproximadamente 31.884 pessoas viviam nas ruas. Das que foram entrevistadas pelos agentes municipais, 45,7% declararam ter o título de eleitor e poderão votar em outubro para presidente, governador, senador e deputado estadual e federal.

Já no Rio, no final de 2020, foram identificados 7.272 moradores em situação de rua, dos quais 4.238 foram abordados: 36,8% disseram ter o título; 44,5% contaram que já tiveram o documento.

As pesquisas em São Paulo, Rio e DF, apesar de independentes, foram feitas pelo poder público e em parceria com o Instituto Qualitest, com metodologia similar.

O pesquisador Marcelo Pedra, do Núcleo de Pesquisa Pop Rua, da Fiocruz Brasília, conta que cerca de 30% da população de rua das cidades pesquisadas ficaram desabrigados no pós-pandemia.

De acordo com a diretora de Estudos e Políticas Sociais da Codeplan, responsável pela pesquisa no DF, Daienne Machado, a invisibilidade dos moradores de rua frente aos órgãos é um problema:

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“Os questionários das pesquisas variam no conteúdo, no tamanho e na coleta. O ideal seria um nacional com as mesmas orientações, mesmo que fosse apenas amostral. Os moradores de rua precisam existir para o governo.”

O primeiro e único levantamento nacional sobre pessoas em situação de rua foi feito em 2008 pelo Ministério do Desenvolvimento Social e Combate à Fome (MDS) e publicado no ano seguinte: foram localizadas 31.922 pessoas em situação de rua distribuídas em 71 cidades pesquisadas.

Em 2013, o IBGE fez uma pesquisa piloto no Rio como parte de uma iniciativa que pretendia ser nacional, mas o projeto foi abandonado. IBGE e Tribunal Superior Eleitoral disseram que não têm dados sobre a população de rua.

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Fonte: IG Política

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Flow: Bolsonaro volta a defender remédios ineficazes contra a Covid-19

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Jair Bolsonaro sendo entrevistado no Flow Podcast
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Jair Bolsonaro sendo entrevistado no Flow Podcast

Em entrevista ao podcast “Flow”, o  presidente Jair Bolsonaro (PL) disse que “o Brasil é o país com menos sofreu com a Covid-19” logo no início da conversa. Hoje, o país ultrapassa o número de 680 mil mortes por conta do coronavírus. O candidato à Presidência também questionou a imunização contra a doença e voltou a defender os medicamentos ineficazes.

O mandatário ainda admitiu ter recebido orientações para evitar o assunto para perder eleitores, mas disse não se importar e que prefere dizer “a verdade”, segundo ele.

Apesar da fala de Bolsonaro, pesquisas mostram a queda no número de mortes acompanham o avanço da vacinação. Ele ainda disse que preferiu não se vacinar contra a Covid-19, embora tenha imposto sigilo de cem anos em sua carteira de vacinação.

“O pessoal me recomenda: ‘não toque nesse assunto’. Poxa, eu tenho que valar a verdade para o pessoal. Não quer votar mais em mim, lamento, né, posso fazer o quê? Eu tenho que falar a verdade”, disse o presidente.

Enquanto Bolsonaro falava sobre a questão da pandemia durante a entrevista, o programa exibido pela plataforma Youtube, destacava na legenda: “Lembre-se de pesquisar tudo o que foi dito neste programa”.

“Eu não tomei vacina. Me recomendaram até a tomar uma água destilada. Eu não vou. Posso enganar a você, mas não vou enganar a mim. Influencia alguns (a não tomar a vacina). Não é que a minha palavra tá valendo, eles foram ler a bula”, disse.

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Bolsonaro citou estudos de Israel que apontam a perda de eficácia da vacina da Pfizer. Entretanto, a aplicação da quarta dose para adultos acima de 40 anos, imunossuprimidos e profissionais de saúde quatro meses após a terceira dose, é recomendada pelo Ministério da Saúde.

Apesar das críticas, Bolsonaro disse que as doses de vacina contra o coronavírus seguirão sendo disponibilizadas:

“Tem gente que quer tomar a terceira, quarta dose. Sem problema nenhum, enquanto quiser tomar, vamos dar a vacina. Agora, respeite quem não quer tomar a vacina”, disse.

Ademais, o presidente  voltou a defender medicamentos comprovadamente ineficazes contra a Covid-19, como a hidroxicloroquina.

“Eu acho que deviam tomar. Eu tomei e fiquei bem, 90% tomaram e tão bem”.

Bolsonaro ainda diz que a “liberdade médica” foi cassada durante a pandemia.

“O meu ministro da saúde, o tal do Mandetta, ele fez um protocolo e quem tava com Covid ia pra casa e quando sentia falta de ar, ia para o hospital. Aí eu falei ‘ vai pro hospital fazer o que? Ser intubado?’. Por que você não garante a liberdade do médico de clinicar seu paciente? Porque o médico sabe disso. Se chega alguém que tá passando mal que pode morrer, ele pode receitar alguma coisa em comum acordo com o paciente ou com a família”.

O Chefe do Estado também comentou sobre a questão do contrato da Pfizer ter chegado no Brasil e ele não ter aceitado prontamente, questão tratada durante a CPI da Covid, onde foi divulgado que 101 e-mails com ofertas de venda e reforço da disponibilidade das doses foram ignorados pelo governo brasileiro, o que poderia ter adiantado o  início da vacinação no Brasil.

Bolsonaro justificou que a oferta chegou em maio de 2020 e não aceitou, pois, segundo ele, a farmacêutica não se responsabilizava pelos efeitos colaterais.

“Me acusam de não ter comprado vacina. Li o contrato da Pfizer e tava escrito: “Não nos responsabilizamos pelos efeitos colaterais”. Falei não, pô”.

Antes de estar disponível para o cidadão, qualquer vacina ou medicamento passa primeiramente pela Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária). A agência avalia os estudos de eficácia da vacina, ou seja, quanto que ela funciona, e os estudos de segurança, isto é, as reações adversas, efeitos colaterais e problemas observados nas pessoas que se vacinaram. Ou seja, é verdade que as empresas não se responsabilizam pelos possíveis efeitos colaterais, mas ela dispõe de dados, resultados e acompanhamentos para que uma agência de saúde possa aprovar ou não um imunizante com segurança. Se aprovado, é porque a vacina tem sua segurança cientificamente comprovada.

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Fonte: IG Política

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