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Donald Trump, 2 anos de governo: presidente dos EUA tem cumprido suas promessas?

Donald Trump, 2 anos de governo: presidente dos EUA tem cumprido suas promessas?

Antes de se tornar o 45¬ļ presidente dos Estados Unidos, Donald Trump fez uma s√©rie de promessas de campanha.

Elas passaram por assuntos como a presen√ßa de imigrantes no pa√≠s, a atividade militar e a√ß√Ķes de mitiga√ß√£o √†s mudan√ßas clim√°ticas.

E agora, passados dois anos de mandato do republicano, como elas se desenrolaram? A BBC News foi atr√°s destas respostas.


Banimento de muçulmanos

Situação: Parcialmente cumprido

"No progress" yellow sign

Antes da elei√ß√£o: Trump inicialmente falou em uma proibi√ß√£o "total e completa" √† entrada de mu√ßulmanos nos EUA at√© que as autoridades conseguissem "descobrir o que est√° acontecendo".

Depois: A medida foi uma das primeiras controv√©rsias de Trump. Durante a campanha, ele mudou suas palavras: deixou de falar em "banimento total" para citar uma "avalia√ß√£o (no processo migrat√≥rio) criteriosa".

Como presidente, ele introduziu dois impedimentos a viagens que foram barrados nos tribunais, mas uma terceira medida do tipo foi aprovada.

A Suprema Corte dos EUA definiu que a proibi√ß√£o decidida por Trump visando seis pa√≠ses majoritariamente mu√ßulmanos (Chade, Ir√£, L√≠bia, Som√°lia, S√≠ria e I√™men) pode entrar em vigor - mas ainda pode ser tamb√©m alvo de novas contesta√ß√Ķes legais.


Um muro na fronteira pago pelo México

Situação: Sem progresso

"Abandoned" red cross

Antes: A proposta de construir um muro ao longo da fronteira entre os Estados Unidos e o M√©xico - e, mais, fazer com que este pa√≠s pague por isso - marcou a campanha do republicano.

 

Depois:

Nenhum tijolo do "grande, bonito muro" subiu.

Democratas se op√Ķem veementemente √† constru√ß√£o, enquanto alguns correligion√°rios de Trump tamb√©m torcem o nariz para o projeto, cujo custo pode chegar a US$ 21,5 bilh√Ķes (cerca de R$ 80 bilh√Ķes) segundo um relat√≥rio interno do Departamento de Seguran√ßa Dom√©stica.

Em dezembro de 2018, o governo dos EUA foi paralisado, em uma situa√ß√£o conhecida como "shutdown", com a resist√™ncia de democratas a aprovar um conjunto de medidas enviadas por Trump que inclu√≠a US$ 5 bilh√Ķes (aproximadamente R$ 18,7 bilh√Ķes) para financiar o muro. At√© agora a quest√£o est√° sem resolu√ß√£o.


Deportação de todos os imigrantes ilegais

Situação: Sem progresso

"Abandoned" red cross

Antes: Trump disse repetidamente durante a campanha que deportaria cada imigrante sem documenta√ß√£o regular nos EUA - soma estimada em mais de 11 milh√Ķes de pessoas.

Depois: √Ä medida que as elei√ß√Ķes se aproximavam, sua postura come√ßou a suavizar pouco a pouco. Depois do pleito, o novo titular da Casa Branca reduziu a cifra para cerca de 2 a 3 milh√Ķes de deporta√ß√Ķes de pessoas "criminosas e com antecedentes criminais, membros de gangues, traficantes de drogas".

No ano fiscal de 2018, as deporta√ß√Ķes foram de 256 mil pessoas, um ligeiro aumento em rela√ß√£o ao ano anterior - embora n√£o t√£o alto quanto o pico de 410 mil pessoas sob o governo Obama no ano de 2012.

O futuro dos jovens imigrantes sem documentos, conhecidos como "sonhadores" ("dreamers", no original), est√° na mesa, j√° que o republicano cancelou o programa Daca (sigla em ingl√™s do programa Deferred Action for Childhood Arrivals, que concede autoriza√ß√£o tempor√°ria para morar e trabalhar √†queles que entraram no pa√≠s ilegalmente quando crian√ßas). O programa contempla a perman√™ncia de 700 mil pessoas nos EUA.

A situação dos "sonhadores" está hoje em um limbo legal.


Saída do Acordo de Paris

Situação: Cumprida

"Delivered" green tick

Antes: Como candidato, Trump disse que as mudan√ßas clim√°ticas seriam uma situa√ß√£o falsa disseminada pela China e que as regras do Acordo de Paris, que exige compromissos dos pa√≠ses para o meio ambiente, estariam impedindo o crescimento americano.

Depois: Ap√≥s tr√™s meses de avalia√ß√£o sobre a pauta, o presidente determinou a sa√≠da do acordo, assinado por cerca de 200 pa√≠ses.

Bombardeio do Estado Isl√Ęmico

Situação: Cumprido

"Delivered" green tick

Antes: Durante um discurso no Estado de Iowa, em novembro de 2015, Trump recorreu a palavr√Ķes para dizer que iria bombardear o grupo autodenominado Estado Isl√Ęmico (EI).

Depois: Em abril de 2017, os Estados Unidos lan√ßaram sua maior bomba n√£o nuclear - conhecida com a "m√£e de todas as bombas" - em um conclave do EI no Afeganist√£o.

Trump tamb√©m leva o cr√©dito por for√ßar o Estado Isl√Ęmico para fora de partes do Iraque e da S√≠ria, dizendo que o grupo foi "amplamente derrotado".

Mas a realidade é que, enquanto os militantes do EI perderam quase todo o território que ocupavam anteriormente, seu líder e milhares de seguidores continuam por aí.


Retorno das tropas para casa

Situação: Parcialmente cumprido

"No progress" yellow sign

Antes: Na campanha, Trump disse que o Oriente M√©dio era uma "bagun√ßa total e completa" e que desejava que o governo tivesse gasto trilh√Ķes de d√≥lares a n√≠vel dom√©stico.

Depois: Em setembro de 2017, o governo Trump anunciou o envio de mais 3 mil soldados ao Afeganist√£o.

Já na Síria, os EUA lideraram uma coalizão contra militantes do EI ao lado de curdos sírios e combatentes árabes, com cerca de 2 mil soldados no local.

Em dezembro de 2018, Trump ordenou a retirada de todas as tropas dos EUA da Síria.

Dias depois, a m√≠dia americana informou que o presidente planejava reduzir para metade o n√ļmero de combatentes no Afeganist√£o, de 14 mil para 7 mil.

Após esta sinalização, o então secretário da Defesa, Jim Mattis, e o enviado especial da coalizão contra o EI, Brett McGurk, renunciaram.


Cortes de impostos

Situação: Cumprido

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Antes: Trump prometeu diminuir a carga de impostos sobre os neg√≥cios e os trabalhadores americanos.

Depois: O plano de impostos dos republicanos foi aprovado finalmente em dezembro de 2017 e, para o presidente, a princ√≠pio trata-se de um grande feito. Mas, na verdade, a for√ßa e durabilidade desta vit√≥ria s√£o questionadas.

Trump havia falado em reduzir impostos sobre os lucros das empresas de 35% para 15% - em vez disso, o percentual ser√° de 21%.

E os cortes de impostos para indivíduos vão expirar em alguns anos, embora os republicanos digam que futuros governos simplesmente os renovarão.

Mas, em geral, os americanos ricos devem se beneficiar mais do que os mais pobres com este pacote.


Renovação da infraestrutura

Situação: Sem progresso

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Antes: A infraestrutura do pa√≠s "se tornar√° incompar√°vel, e colocaremos milh√Ķes de pessoas de volta ao trabalho √† medida que a reconstru√≠rmos", disse o presidente em seu discurso de vit√≥ria, em novembro.

Depois: O presidente repetiu em diversas ocasi√Ķes a promessa de gastar muito nas estradas, ferrovias e aeroportos do pa√≠s, mas h√° ainda poucos sinais de a√ß√£o.

Em mar√ßo de 2018, o Congresso alocou US$ 21 bilh√Ķes (cerca de R$ 78 bilh√Ķes) para gastos em infraestrutura - muito abaixo dos US$ 1,5 trilh√Ķes (R$ 5,6 trilh√Ķes) solicitados pelo presidente.


Nomeação de conservador na Suprema Corte

Situação: Cumprida

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Antes: Trump prometeu nomear um juiz conservador para a Suprema Corte do pa√≠s.

Depois: Na realidade, ele nomeou dois: Neil Gorsuch e Brett Kavanaugh.

A indicação de Gorsuch exigiu uma mudança processual nas regras do Senado, mas foi a nomeação de Kavanaugh que gerou controvérsia.

Kavanaugh enfrentou acusa√ß√Ķes de agress√£o sexual - que ele nega - e acabou sendo al√ßado com a vota√ß√£o mais apertada para uma nomea√ß√£o do tipo desde 1881, com 50 votos a 48.

Al√©m de deixar sua marca no mais importante tribunal do pa√≠s, Trump nomeou dezenas de ju√≠zes conservadores em tribunais de inst√Ęncias inferiores.


Classificação da China como manipuladora de moeda

Situação: Abandonado

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Antes: Trump repetidamente disse que, em seu primeiro dia na Casa Branca, os EUA listariam a China como um pa√≠s "manipulador de moeda".

Depois: O republicano disse ao Wall Street Journal em abril de 2017 que a China n√£o era "manipuladora de moeda" h√° algum tempo e que, na verdade, os esfor√ßos do pa√≠s asi√°tico visavam evitar o enfraquecimento do yuan.


Acordos comerciais

Situação: Parcialmente cumpridos

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Antes: Trump classificou o Nafta (Acordo de Livre Com√©rcio entre M√©xico, Estados Unidos e Canad√°, na sigla em ingl√™s) como um "desastre" e alertou que a Parceria Trasnpac√≠fica (ou TPP, de "Transpacific Partnership") "ser√° pior, ent√£o vamos parar com ela". Ele tamb√©m prometeu corrigir o d√©ficit na balan√ßa comercial com a China.

Depois: Nos primeiros dias na Casa Branca, o presidente cumpriu com a palavra de sair do TPP. Mas ele indicou que, se os EUA conseguissem um acordo mais favor√°vel, poderiam voltar √† parceria.

Em 30 de novembro de 2018, depois de arrastadas negocia√ß√Ķes, os EUA, Canad√° e M√©xico assinaram um acordo entre os tr√™s que foi desenhado para substituir o Nafta - mas ele ainda precisa de aprova√ß√£o do Legislativo.

J√° Washington e Pequim se envolveram na escalada de uma batalha comercial - com ambos lados impondo tarifas em bens com valor na casa dos bilh√Ķes de d√≥lares.

Eles concordaram em uma trégua de 90 dias a partir de dezembro de 2018, ainda que Trump tenha sinalizado a possibilidade de impor novas tarifas, se necessário.


Endurecimento diante de Cuba

Situação: Parcialmente cumprido

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Antes: O acordo liderado por Barack Obama, quando presidente, de reaproxima√ß√£o diplom√°tica e comercial entre EUA e Cuba, seria revertido por Trump, conforme ele prometeu em setembro de 2016.

Depois: J√° como presidente, o republicano disse ao p√ļblico, em um evento em Miami, que iria "cancelar o acordo unilateral da administra√ß√£o Obama" com Cuba.

Mas, na verdade, ele s√≥ voltou atr√°s em alguns pontos - como na imposi√ß√£o de restri√ß√Ķes a viagens e neg√≥cios entre os dois pa√≠ses.


Transferência da embaixada em Israel

Situação: Parcialmente cumprida

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Antes: Jerusal√©m, cidade reivindicada por israelenses e palestinos, seria a nova sede da embaixada americana em Israel - e n√£o mais Tel Aviv - segundo promessa de Trump.

Depois:

Em dezembro de 2017, Trump reconheceu formalmente Jerusalém como a capital de Israel e aprovou a transferência da embaixada.

A nova sede foi inaugurada em maio de 2018, de forma a coincidir com o 70¬ļ anivers√°rio de Israel, mas nem todos escrit√≥rios e setores foram transferidos.

Ainda assim, o governo de Israel considera este o primeiro passo de uma grande e simbólica jogada diplomática.


Dissolução do Obamacare

Situação: Parcialmente cumprida

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Antes: Uma das marcas registradas dos com√≠cios de Trump foi dizer que revogaria o Obamacare, o sistema de amplia√ß√£o do acesso √† sa√ļde criado na gest√£o Barack Obama.

Depois: Embora os republicanos n√£o tenham conseguido aprovar uma lei de revoga√ß√£o ou reforma, o governo Trump conseguiu desmantelar partes do Obamacare - per√≠odos de inscri√ß√£o foram reduzidos e alguns subs√≠dios foram cortados, por exemplo.

E, em dezembro de 2018, um juiz federal no Texas declarou a legislação como inconstitucional.

O pacote, porém, permanece em vigor enquanto uma apelação espera para ser apreciada pela Suprema Corte.


Adeus à Otan

Situação: Abandonado

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Antes: Trump classificou a Otan (Organiza√ß√£o do Tratado do Atl√Ęntico Norte, uma alian√ßa militar intergovernamental) como "obsoleta"; uma quest√£o que o irritava era, segundo ele, o fato de que outros pa√≠ses se beneficiavam mais da alian√ßa do que Washington e, tamb√©m, gastavam menos com ela.

Depois: Ao receber o secret√°rio-geral da Otan na Casa Branca em abril de 2018, o presidente dos EUA disse que a amea√ßa do terrorismo havia destacado a import√Ęncia da alian√ßa.

"Eu disse que era obsoleta, mas não é mais", afirmou.

Em julho de 2018, Trump reiterou seu apoio ao tratado em uma c√ļpula, mas sugeriu que os EUA ainda poderiam sair se os aliados n√£o concordassem com suas demandas or√ßament√°rias.


Restabelecimento de alguns métodos de tortura

Situação: Abandonado

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Antes: Quando candidato, Trump disse que voltaria a permitir a asfixia em √°gua (waterboarding) "imediatamente" como forma de tortura, incluindo ainda m√©todos "muito piores".

Depois: Depois da posse, o republicano disse que aderiria ao posicionamento de membros do alto escal√£o de seu governo, contr√°rios √† opini√£o de Trump, sobre a tortura. Entre estes nomes, estavam James Mattis, ex-secret√°rio de Defesa, e Mike Pompeo, ent√£o diretor da CIA (ag√™ncia de intelig√™ncia dos EUA) e hoje secret√°rio de Estado.

Ao ser confirmado no cargo na CIA, Pompeo afirmou que "de forma alguma" recuperaria tais métodos.


Hillary Clinton na Justiça

Situação: Abandonado

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Antes: "Prendam-na" foi um dos principais motes gritados por apoiadores de Trump na campanha; eles queriam que a oponente do republicano, a democrata Hillary Clinton, fosse para a cadeia por ter usado um e-mail privado enquanto atuava como secret√°ria de Estado.

"Se eu ganhar, vou instruir meu secretário de Justiça a designar um promotor especial para olhar esta situação", afirmou Trump em um debate.

Depois: O tom do presidente eleito mudou t√£o logo ele ganhou, descrevendo Hillary Clinton, antes uma "mulher t√£o desagrad√°vel", como algu√©m a quem o pa√≠s tinha "uma d√≠vida de gratid√£o".

Mais tarde, ele disse que "n√£o havia pensado muito sobre as acusa√ß√Ķes" e tinha outras prioridades.

Em 22 de novembro, a porta-voz de Trump disse que não iria prosseguir com uma investigação - para ajudar Clinton a "curar-se".

Fonte: BBC

 

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