Menu

China apresenta ação contra os EUA na OMC por tarifas

China apresenta ação contra os EUA na OMC por tarifas

A China apresentou uma ação contra os Estados Unidos na Organização Mundial do Comércio (OMC) pela imposição de taxas de importação, informou seu Ministério do Comércio nesta sexta-feira (6).

China e EUA estão envolvidos em uma ampla disputa sobre propriedade intelectual, que acabou por atingir produtos comercializados entre os dois países.

Após meses de discussões, começou a valer nesta sexta a tarifa de 25% sobre diversos produtos da China importados pelos Estados Unidos. A ação provocou a represália imediata de Pequim, que denunciou "a maior guerra comercial da história econômica".

A entrada das tarifas em vigor marca o fracasso de meses de negociações entre as duas maiores economias do mundo e ocorre no momento em que importantes vozes da indústria alertam para suas consequências internas nos Estados Unidos.

O primeiro-ministro chinês, Li Keqiang, advertiu os Estados Unidos nesta sexta que uma guerra comercial "não beneficia ninguém".

"Se um país quiser aumentar as tarifas, a China responderá para se defender. Uma guerra comercial não beneficia ninguém, porque prejudica o comércio livre e o processo multilateral", declarou.

Tarifas sobre US$ 34 bilhões

A imposição das tarifas sobre a China faz parte de uma série de políticas impostas pelos EUA aos produtos chineses, seguidas de anúncios de retaliações dos asiáticos.

A sobretaxa é uma resposta ao que o governo dos Estados Unidos considera um "roubo" de tecnologia norte-americana. Dos US$ 50 bilhões em produtos anunciados inicialmente para serem sobretaxados, a lista dos produtos que começam a sofrer a cobrança nesta sexta soma R$ 34 bilhões, com 818 produtos. Entre eles, estão:

  • Painéis de LED e LCD;
  • Telas sensíveis ao toque;
  • Sismógrafos;
  • Eletrocardiogramas;
  • Microscópios;
  • Satélites;
  • Aeronaves;
  • Helicópteros;
  • Motocicletas;
  • Cabos de fibra óptica;
  • Câmeras de TV;
  • Baterias de lítio.

A tensão teve início depois que as empresas norte-americanas exigiram isenções para importações consideradas importantes. As taxas miram em produtos chineses que, para o governo de Donald Trump, são comercializados de forma injusta - como veículos de passageiros, transmissores de rádio, peças para aviões e discos rígidos para computadores.

Há anos, os EUA reclamam que a China gera ao país um considerável déficit comercial (que é a diferença do volume exportado entre os dois países). Trump alega que o país asiático rouba propriedade intelectual, especialmente no setor de tecnologia, além de violar segredos comerciais das empresas americanas, gerando uma concorrência desleal com o resto do mundo.

Por isso, o combate aos produtos "made in China" é uma bandeira de campanha de Trump que recebeu o apoio de vários países.

Em abril, os EUA anunciam tarifas de US$ 50 bilhões sobre 1,3 mil produtos chineses, alegando violação de propriedade intelectual. Em resposta à taxação, China impõe tarifas de 25% sobre 128 produtos dos EUA, como soja, carros, aviões, carne e produtos químicos.

Veja abaixo a cronologia da tensão comercial:

2001: China entra oficialmente na OMC.

2006: Henry Paulson assume a secretária do Tesouro dos EUA com a missão de reduzir o déficit comercial do país com a China.

2007: Departamento de Comércio ameaçam sobretaxas sobre a importação de papel da China.

2012: Durante a campanha presidencial, Obama e Romney discutiram as práticas comerciais da China.

2016: Na eleição, Trump chega a ameaçar elevar para 30% a tarifa sobre todos os produtos chineses.

Dezembro de 2016: Ao fim dos 15 anos para fazer mudanças propostas pela OMC, China não altera nada e continua a ser encarada apenas como economia "semi-aberta" por EUA e UE.

8 de março de 2018: EUA impõem sobretaxas ao aço e alumínio importado de vários países.

22 de março de 2018: EUA anunciam tarifas de US$ 50 bilhões sobre 1,3 mil produtos chineses, alegando violação de propriedade intelectual.

2 de abril de 2018: em resposta a taxação, China impõe tarifas de 25% sobre 128 produtos dos EUA, como soja, carros, aviões, carne e produtos químicos.

5 de abril de 2018: China recorre à OMC contra tarifas dos EUA para o aço e alumínio.

5 de abril de 2018: Trump propõe sobretaxar mais US$ 100 bilhões em produtos chineses.

31 de maio de 2015: Trump retira isenção a tarifas sobre aço e alumínio da UE, Candá e México.

1 de junho de 2018: EUA oficializam imposição de cotas e sobretaxas à importação de aço brasileiro.

15 de junho de 2018: EUA começam a sobretaxar parte dos US$ 50 bilhões em produtos chineses. Outra parte é prevista para 6 de julho.

16 de junho de 2018: China surpreende com ameaças de novas tarifas, agora sobre o petróleo bruto, gás natural e produtos de energia dos EUA.

19 de junho de 2018: Trump ameaça impor tarifa de 10% sobre US$ 200 bilhões em bens chineses, em retaliação.

19 de junho de 2018: Pequim criticou "chantagem" e alertou que irá retaliar, em um rápido agravamento do conflito comercial.

22 de junho de 2018: União Europeia começa a cobrar tarifas de importação de 25% sobre uma série de produtos norte-americanos

22 de junho: Trump ameaça impor sobretaxas de 20% sobre exportações de veículos da União Europeia, um mês após concluir que as importações de veículos europeus representam uma ameaça à segurança nacional.

06 de julho de 2018: começa a cobrança de tarifas sobre 818 produtos chineses, no valor de R$ 34 bilhões.

06 de julho de 2018: China apresenta ação na OMC contra os EUA contra as tarifas.

guerra-tarifas-v2-1-2-.png

Por G1
voltar ao topo
Info for bonus Review bet365 here.