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Estudo da UFU apresenta perfil da mulher em diversas áreas no município de Uberlândia

Estudo da UFU apresenta perfil da mulher em diversas áreas no município de Uberlândia

Pesquisadores do Centro de Estudos, Pesquisas e Projeto Econômico-Sociais da Universidade Federal de Uberlândia (Cepes/UFU) lançaram, no final do mês passado, o primeiro volume de uma série de estudos intitulado “A Mulher no Município de Uberlândia-MG: Trabalho, Educação e Demografia”. O documento apresenta o panorama da mulher em vários segmentos da sociedade local e tem por objetivo, além de apresentar dados concretos, levantar discussões a respeito dos temas.

Entre os segmentos estão a inserção da mulher no mercado de trabalho,o acesso à educação e aspectos demográficos. Os outros dois volumes serão lançados no final de abril e meados de maio, respectivamente.

O primeiro volume, lançado no final do mês passado, trata da “Inserção da Mulher no Mercado Formal de Trabalho do Município de Uberlândia”. A publicação completa está disponível na página da Cepes/UFU e, segundo as pesquisadoras e Alanna Santos de Oliveira e Ester Willian Ferreira, o estudo busca responder questões relacionadas à participação da mulher no mercado de trabalho em Uberlândia; setores que elas atuam; remuneração e equiparação salarial, entre outros.

De acordo com a mestre em Economia Allana Oliveira, as informações apresentadas em 35 páginas foram organizadas a partir de dados disponibilizados na Relação Anual de Informações Sociais (RAIS) e no Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged).

Ainda conforme a pesquisadora, o volume contém dados relacionados aos principais setores de atuação e possibilita a análise das remunerações por gênero.

“O objetivo foi acompanhar o tema que trata da inserção e a participação da mulher na sociedade. Buscamos resgatar e acompanhar o cenário e delinear o papel da mulher no município e, dessa forma, levar para a sociedade a realidade, o papel desta mulher”, ressaltou a pesquisadora.

Na pesquisa sobre o mercado de trabalho foi analisado o mercado formal, visto que foram utilizados dados da RAIS. E, neste sentido, de acordo com a pesquisadora, é possível afirmar que houve avanços, mas ainda há muitos desafios para se alcançar a igualdade entre homens e mulheres .

“A inserção da mulher no mercado de trabalho aumentou. Em 2000, a taxa era de 36% para mulher e 64% para homens. Já em 2017, fica demonstrado que a distribuição ficou um pouco mais igual, com 45% de inserção para as mulheres. Essa inserção traduz um avanço, fruto de muitas conquistas e lutas”, analisou Allana.

A pesquisa destaca que o avanço é uma tradução da realidade econômica, sendo que hoje poucas famílias são sustentadas apenas pelo homem.

“A renda obtida pela mulher é essencial e complementar para prover o sustento da família.”, ponderou, lembrando que existem os cenários de lares mononucleares, onde a mãe provê sozinha o sustento dos filhos.

Se há avanços, também existem desafios. E estes muitas vezes são percebidos em setores específicos do mercado. Enquanto a mulher tem participação mais expressiva em áreas ligadas à administração pública, saúde, ensino e instituições financeiras, outros setores como a construção civil não chegam a registrar nem 10% de participação feminina.

O setor que mais emprega mulheres é o da Administração Pública. O setor que detinha 10% das vagas de emprego formal em 2000; 11% em 2005; 9% em 2010 e 6% em 2015, é único onde a participação feminina na ocupação dos postos de trabalho superou a participação dos homens em todos os anos selecionados. Em 2000, as mulheres ocupavam 63% dos postos de trabalho, enquanto os homens ocupavam 34%; em 2005 e em 2010, esses percentuais passaram para 64% e 36%, respectivamente, em ambos os anos, e, em 2015, chegaram a 73% e 27%.

Apesar disso, há a questão da desigualdade salarial, inclusive quando os cargos e escolaridade exigida são iguais.

“Quanto maior o grau de instrução do trabalhador, tanto maior a desigualdade salarial. Nos casos de superior completo, essa desigualdade é maior”, disse Allana.

No estudo é possível notar que, em 2006, um homem com superior completo recebia, em média, R$ 6.579, enquanto a mulher com a mesma qualificação recebia R$ 3.669.

Em 2017 houve um avanço significativo, mas ainda longe de representar igualdade. Na mesma situação, um homem recebia, em média, R$ 6.370, e a mulher, R$ 4.530.

É importante ressaltar que foram investigados casos em que homem e mulher ocupavam o mesmo cargo, tinham a mesma escolaridade, mesmo quantitativo de horas trabalhadas e outras variáveis.

“Não foram trabalhadas, no momento, as razões para essa desigualdade, o que há por trás”, ressaltou a pesquisadora, deixando claro que fatores hipotéticos não foram levados em consideração para a análise. “Não nos preocupamos em trazer uma justificativa, mas já dá para iniciar uma discussão”, completou.

Próximos volumes

O volume que será lançado no final de abril apresentará o cenário de avanços e desafios no acesso à educação das mulheres. Responsável pela pesquisa, o mestre em Economia pela UFU, Marcelo Lopes de Souza, explicou que o estudo visa comparar o acesso a todas as etapas de ensino de homens e mulheres.

Segundo ele, desde os anos 1980, a mulher tem melhores indicadores de acesso à educação do que os homens. Além disso, o trabalho mostrará a segmentação desta escolaridade. Assim como no mercado de trabalho, as vagas ligadas à educação e saúde são ocupadas majoritariamente por mulheres, enquanto os homens dominam cursos como engenharia, por exemplo.

“As mulheres que têm menos tempo de estudo são as que mais exercem atividades domésticas”, lembra.

Por outro lado, no campo das hipóteses, o pesquisador lembrou que a maior dificuldade para uma mulher conseguir se inserir no mercado de trabalho aumenta a necessidade de aprimorar ainda mais os estudos.

Em maio será lançado o terceiro volume, com dados demográficos relacionados ao gênero em Uberlândia. O trabalho é coordenado pelo doutor em Demografia pela Universidade Federal de Minas Gerais, Luiz Bertolucci Júnior.

De acordo com Bertolucci, o último volume da série apresentará o perfil da população com detalhes em taxas de crescimento por gênero, proporção das mulheres por faixa etária, índice de envelhecimento e outros indicadores, os quais darão um retrato da população feminina de Uberlândia.

Um dos objetivos do estudo é apresentar dados quantitativos e detalhados para auxiliar na aplicação de políticas ligadas à educação, empregabilidade e capacitação das mulheres residentes em Uberlândia.

“A pesquisa irá auxiliar diversos setores, como o da habitação, por exemplo. Os indicadores ajudarão a estabelecer um perfil e fazer com que seja possível nos planejar levando em consideração a dinâmica da demografia. Assim, o município poderá se planejar em áreas como a educação, emprego, capacitação e mulheres que buscam o mercado de trabalho”, finalizou.

 

Fonte: G1

 

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