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CIÊNCIA E SAÚDE

Incor vai receber 10 ventiladores pulmonares desenvolvidos pela USP para pacientes com coronavírus

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O Instituto do Coração de São Paulo (Incor) vai receber a partir de quinta-feira (16) dez unidades do ventilador pulmonar emergencial criado por um grupo de engenheiros da Escola Politécnica (Poli) em parceria com a Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (USP), de acordo com o governador João Doria (PSDB) em coletiva de imprensa nesta quarta-feira (15).

Batizado de Inspire, o aparelho foi criado dentro de 4 meses por uma equipe de 200 pesquisadores para suprir a necessidade de respiradores durante a pandemia de coronavírus. Cerca de 800 doadores contribuíram com cerca de R$ 7 milhões para o desenvolvimento do respirador, de acordo com o professor coordenador do projeto, Raul Gonzalez Lima.

O respirador pode ser fabricado em 2 horas e custará entre R$ 5 mil e 10 mil. Os aparelhos comerciais mais baratos chegam a custar R$ 250 mil. A fabricação será feita pelo Centro Tecnológico da Marinha em São Paulo (CTMSP), que é ligado à USP. A universidade poderá produzir 10 respiradores por dia.

No início, o custo desses ventiladores seria de R$ 1 mil, mas, de acordo com o professor Marcelo Zuffo, vice-coordenador do programa, os requisitos foram aumentados. “O custo de 1000 era para um ventilador muito mais simples. Os requisitos ampliados de (modos ventilatórios, telas) fizeram com que o equipamento ficasse mais caro. Mesmo assim o custo é expressivamente mais barato”, afirmou ao G1.

Segundo Lima durante coletiva de imprensa no Palácio dos Bandeirantes, na Zona Sul de São Paulo, nesta quarta-feira (15) , o preço não se manteve por três motivos: o aumento do dólar, as compras de suprimentos feitas no pico da quebra da cadeia e a mudança gradual da legislação desse tipo de ventilador.

“Com essas três mudanças conjuntas, nós estimamos que o custo, não o preço, estará entre R$ 5 a 10 mil reais. Ao preço incidem outras coisas, como impostos. Nós estamos trabalhando com doações, então os impostos são menores. Quando nós não estivermos mais trabalhando com doações, este preço poderá ser outro”, afirmou.

Autorização

O ventilador da USP foi submetido à regularização da Anvisa pela primeira vez no dia 13 de maio. Três dias depois, a área técnica da agência realizou a análise do processo e enviou uma exigência técnica, que foi sanada pela Poli no dia 25 de maio e reenviado.

No final de junho, a Poli conclui a última exigência da Anvisa, um teste de imunidade eletromagnética. A agência informou nesta quarta-feira (15), que o aparelho não voltou a ser submetido a teste desde 7 de julho.

A Anvisa também realizou a inspeção no local de fabricação do produto, que foi considerado satisfatório.

No estágio atual, porém, o ventilador tem a autorização do Conselho Nacional de Ética em Pesquisa (Conep) para a utilização desse ventilador em 40 pacientes, de acordo com Lima.

“Isto começa amanhã e deve ser um processo de um mês e durante esse mês nós estamos cumprindo as últimas exigências da Anvisa e isto está quase no final. Então, nós estamos nos preparando para uma produção de 10 a 20 respiradores por dia e amanhã serão entregues 10 destes ventiladores para o Instituto do Coração”, afirmou.

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De acordo com Lima, os respiradores têm agregado um conteúdo resultante de 20 anos de pesquisas na área pulmonar e de uma cooperação entre várias unidades da USP, incluindo a Faculdade de Medicina, que contribuiu com o desenvolvimento e testes nos leitos.

A faculdade de Engenharia da Poli desenvolveu, por sua vez, o desenho mecânico, o desenho eletrônico, todo o software de controle, o circuito ventilatório, toda a documentação de certificações, os testes de qualidade, a logística e a manufatura.

Novos testes

Segundo o diretor da divisão de pneumologia do Incor, Carlos Carvalho, já foram realizados testes piloto e, a partir de quinta-feira (16), 40 pacientes passarão a usar o ventilador em uma nova fase de pesquisa. Essa segunda fase deve ser concluída nas próximas três ou quatro semanas. Depois, serão feitos os ajustes, caso necessário, e a partir daí, os ventiladores poderão ser utilizados em larga escala.

Carvalho acrescentou que os respiradores mecânicos são fundamentais para equipar as Unidades de Tratamento Intensivo (UTIs) e salvar vidas.

“Se me falassem eu nunca imaginaria que nós conseguiríamos um ventilador mecânico nacional em um curto espaço de tempo. Em quatro meses utilizando conceitos de fisiologia, de medicina e a aplicação dos conceitos da engenharia, está aqui, hoje, em quatro meses, um ventilador que tem capacidade para substituir os ventiladores mecânicos que temos tido que importar em um passado recente para poder salvar vidas”, afirmou.

Respirador desenvolvido pela USP para suprir demanda durante pandemia do coronavírus — Foto: Reprodução/Poli-USP

Respirador desenvolvido pela USP para suprir demanda durante pandemia do coronavírus — Foto: Reprodução/Poli-USP

João Doria elogiou a criação do ventilador durante a coletiva de imprensa no Palácio dos Bandeirantes, na Zona Sul de São Paulo, nesta quarta-feira (15).

“Um grande dia para a ciência brasileiras, que parte aqui de São Paulo e da academia, a Universidade de São Paulo, a melhor universidade do país e da América Latina, desenvolveu respiradores com tecnologia nacional, com técnicos, pesquisadores, professores e alunos da Universidade de São Paulo. As forças armadas também participam desta vitória da ciência brasileira através da produção e montagem desses respiradores nas instalações da Marinha do Brasil aqui em São Paulo.”

Em maio, o Ministério Público do Estado de São Paulo (MP-SP) pediu esclarecimentos ao governo do estado sobre o motivo para não implementar o uso dos respiradores de emergência desenvolvidos pela Poli no combate à pandemia do coronavírus.

A promotora argumentou que o governo vinha negociando a importação de um único respirador por cerca de R$ 220 mil, enquanto um ventilador do Projeto Inspire tem custo aproximado de R$ 2 mil – o governo comprou três mil aparelhos da China por US$ 100 milhões, o equivalente a R$ 550 milhões.

Testes com humanos

O ventilador da USP já passou por testes com humanos. Eles foram feitos com quatro pacientes nas dependências do Instituto do Coração (Incor) do Hospital das Clínicas (HC) da USP, entre os dias 17 e 19 de abril. Na avaliação dos técnicos, o respirador foi considerado aprovado em todos os modos de uso e não houve nenhum problema com os pacientes ventilados.

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Além da pesquisa feita no HC, testes com animais e avaliações técnicas também comprovaram a eficiência do respirador.

O ensaio no HC foi feito de acordo com as orientações da Comissão Nacional de Ética em Pesquisa e sob a coordenação do professor José Otávio Auler Junior, da Faculdade de Medicina. Antes disso, em 13 e 14 de abril, o equipamento foi testado em animais, sob a orientação de professoras da Faculdade de Medicina Veterinária e Zootecnia (FMVZ).

Para acelerar as avaliações técnicas, os engenheiros tiveram que improvisar. Uma bexiga de aniversário, feita de borracha, foi enchida de ar pelo respirador para verificar se o aparelho era capaz de controlar variáveis como pressão e vazão do oxigênio.

“O objetivo era ter medidas na frequência da respiração do paciente, para permitir a sincronização do fornecimento de oxigênio do aparelho com a frequência respiratória. Foram testadas várias frequências respiratórias, porque havia controle das variáveis, tais como pressão e vazão”, explica o professor Guenther Krieger Filho, coordenador do Laboratório de Diagnóstico Avançado de Combustão da Poli.

Criação do respirador

Um grupo de grupo de aproximadamente 40 pesquisadores da Escola Politécnica da Universidade de São Paulo (Poli-USP), entre engenheiros biomédicos, mecânicos, mecatrônicos, eletrônicos e de produção, estudantes e representantes da iniciativa privada, se articulou no desenvolvimento do respirador para suprir uma possível demanda do equipamento hospitalar durante a pandemia do coronavírus.

Engenheiros da USP desenvolveram o 'Inspire', ventilador pulmonar para uso em emergências, que pode ser produzido em até duas horas e 15 vezes mais barato  — Foto: Divulgação/Poli-USP

Engenheiros da USP desenvolveram o ‘Inspire’, ventilador pulmonar para uso em emergências, que pode ser produzido em até duas horas e 15 vezes mais barato — Foto: Divulgação/Poli-USP

A proposta do grupo era a criação de um ventilador pulmonar de baixo custo, com tecnologia e componentes nacionais. O resultado é um equipamento produzido com mais rapidez e menor custo.

“Buscamos montar um equipamento que pudesse utilizar ao máximo componentes que já existem no mercado brasileiro, não dependendo muito de importação, e que pudéssemos acionar os fabricantes para aumentar sua produção”, disse o professor Raul González Lima, especialista em Engenharia Biomédica.

O tempo total de fabricação é inferior a duas horas. “Nós gostaríamos que a indústria nacional se desenvolvesse e exportasse as tecnologias que possuem para muitos países”, continuou o pesquisador.

O ventilador pulmonar desenvolvido pela Poli-USP é mecânico, para ser utilizado em emergências, pois a equipe considerou uma eventual falta de linhas de ar comprimido nos leitos de hospital, o que tornaria necessário o bombeamento de ar para o paciente.

Segundo o pesquisador Raul González Lima, a Poli-USP é responsável pelo projeto, mas não pela fabricação, que deverá ser feita por empresas com autorização da Anvisa. O projeto tem licença aberta para os interessados em produzir o ventilador.

Grupo de 40 pessoas se articulou no desenvolvimento do respirador para suprir uma possível demanda do equipamento hospitalar  — Foto: Divulgação/Poli-USP

Grupo de 40 pessoas se articulou no desenvolvimento do respirador para suprir uma possível demanda do equipamento hospitalar — Foto: Divulgação/Poli-USP

Por: G1

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Capacitação para agentes de endemias em Carneirinho

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Na manhã de hoje (22), os Agentes de Endemias da Secretaria Municipal de Saúde de Carneirinho participaram de uma capacitação de como usar como usar veneno pra matar as larvas em reservatórios e recipientes.

De acordo com o Diretor de Vigilância Sanitária e Epidemiologia, Fábio Souza Ribeiro (Fabio Caixeta), antes o produto utilizado era em pó e agora é em comprimido.

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