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CIÊNCIA E SAÚDE

Estudo relaciona desnutrição de mães com agravamento dos efeitos do vírus da zika na malformação de fetos

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Para a América Latina, os recursos servirão ao combate e atendimento de crianças com microcefalia, por exemplo — Foto: Felipe Dana/APPara a América Latina, os recursos servirão ao combate e atendimento de crianças com microcefalia, por exemplo — Foto: Felipe Dana/AP

Para a América Latina, os recursos servirão ao combate e atendimento de crianças com microcefalia, por exemplo — Foto: Felipe Dana/AP

A desnutrição de mulheres grávidas estaria diretamente relacionada ao aumento dos casos de microcefalia pelo vírus da zika. Um estudo publicado na sexta-feira (10) pela revista “Sciences Advances” mostrou que uma alimentação pobre em proteínas aumenta os riscos de infecção nas mães o que pode provocar a malformação dos fetos.

Cientistas brasileiros e ingleses defenderam que os casos de síndrome congênita associada à infecção pelo vírus da zika (CZS, da sigla em inglês) estão ligados a fatores ambientais e de estilo de vida. O estudo foi feito em conjunto por pesquisadores da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) e da Universidade de Oxford, na Inglaterra.

Patrícia Gaez, pesquisadora da UFRJ e uma das autoras do estudo, disse ao G1 que durante o surto de 2015, 40% das mães que deram a luz a crianças com microcefalia associada ao zika tinham algum tipo de restrição proteica.

A CZS, engloba uma série de malformações associadas com a zika que podem se manifestar durante a gestação. Entre elas estão as alterações cerebrais (microcefalia e lisencefalia), problemas na retina e aumento dos ventrículos cardíacos.

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A zika é transmitida pela picada do mosquito Aedes aegypti, o mesmo responsável pela dengue.

Aedes aegypti possui coloração escura e listras brancas pelo corpo — Foto: PixabayAedes aegypti possui coloração escura e listras brancas pelo corpo — Foto: Pixabay

Aedes aegypti possui coloração escura e listras brancas pelo corpo — Foto: Pixabay

Casos se concentram no Nordeste

O Brasil foi apontado pelos pesquisadores como um dos países mais afetados pelo zika. A maior parte dos casos – cerca de 75% – esteve concentrada na região Nordeste.

“A infecção congênita pelo zika pode ser piorada por fatores ambientais, principalmente uma dieta pobre em proteínas”, disse em nota o professor da Universidade de Oxford Zoltán Molnár, um dos autores do estudo.

Os cientistas explicaram que a dieta das comunidades mais pobres do país, baseada no alto consumo de carboidratos e baixo consumo de proteínas teve um papel definitivo no agravamento dos efeitos da síndrome.

Já a pesquisadora brasileira explicou que a comunidade científica conhecia a relação entre desnutrição e enfraquecimento do sistema imunológico.

“Quando tem uma dieta de restrição proteica, o indivíduo fica mais suscetível a infecções”, disse Garcez. “E essa foi uma das nossas hipóteses para explicar porque teve mais casos de microcefalia nas regiões com menos IDH. A alimentação é um co-fator relevante.”

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Mesmo resultado em cobaias

O estudo replicou os efeitos da infecção em camundongos que receberam uma dieta pobre em proteínas. Os pesquisadores observaram que os sinais da doença, já registrados em humanos, também foram identificados nas cobaias.

As fêmeas de camundongo com uma alimentação não balanceada tiveram infecções mais persistentes que as com uma dieta mais saudável. Entretanto, o cientista alertou que apenas comer bem não é suficiente para evitar a doença.

“Melhorar a dieta por si só não protege contra infecções pelo zika”, explicou Molnár. “Mas pode determinar a gravidade da infecção.”

A pesquisadora da UFRJ alertou também para a prevenção. Garcez defendeu a importância de evitar a proliferação do mosquito, vetor da doença.

O estudo ponderou que ainda é cedo para realizar experimentos clínicos em humanos, mas defendeu que o padrão identificado nos camundongos já seria suficiente para apontar um caminho no desenvolvimento de tratamentos para a infecção.

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CIÊNCIA E SAÚDE

Menina com doença rara encontra medula compatível em irmã de 1 ano: ‘Idênticas geneticamente’

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Ana Lívia de 1 ano tem medula 100% compatível com a irmã Yasmim  — Foto: Divulgação/Ingrid AlvesAna Lívia de 1 ano tem medula 100% compatível com a irmã Yasmim  — Foto: Divulgação/Ingrid Alves

Ana Lívia de 1 ano tem medula 100% compatível com a irmã Yasmim — Foto: Divulgação/Ingrid Alves

A luta da pequena Yasmim Marques Brito, de apenas 7 anos, por um doador de medula 100% compatível acabou. A menina de Cubatão (SP) tem leucemia mielóide aguda (LMA) – uma doença rara e que geralmente acomete pessoas com mais de 55 anos. A irmãzinha dela, Ana Lívia, de apenas 1 ano, é 100% compatível e poderá ser a doadora que Yasmin tanto buscava.

Em entrevista ao G1, a mãe Daniela Cristina Marques de Araujo Brito informou que a filha tinha apenas três meses para conseguir encontrar um doador compatível já que, de acordo com os médicos, ela não poderia passar por muitos ciclos de quimioterapia.

“Isso pode ser muito prejudicial à saúde dela conforme a médica me falou. Essas doses são bem intensas, 10 vezes mais intensas do que ela tomou anteriormente. Quanto mais doses de quimioterapia ela tomar, mais perigoso é para ela”, conta a mãe.

A descoberta do doador aconteceu na noite de terça-feira (21), quando a médica responsável pelo tratamento de Yasmim entrou em contato com a mãe. “Ela falou que haviam encontrado. Estávamos achando que seria eu ou o pai porque os médicos disseram que a chance era de 50% para nós e 25% para a irmã. Foi coisa de Deus, elas são idênticas geneticamente. Quando ela deu a notícia, foi uma alegria danada”, revela a mãe emocionada.

Agora, a menina faz parte dos 30% dos pacientes com indicação de transplante de medula que têm um doador totalmente compatível, conforme informado pela oncologista pediátrica do Grupo de Apoio ao Adolescente e à Criança com Câncer (Graacc), Ana Virgínia.

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Após a notícia, a primeira reação da mãe foi chorar e abraçar as enfermeiras que cuidam da garota, que permanece internada no Hospital do Graacc, em São Paulo. No fundo, a mãe diz que sabia que a mais nova teria vindo ao mundo para fazer a diferença na vida da irmã.

Irmãs são geneticamente iguais, conforme relata a mãe — Foto: Divulgação/Tania RamalhoIrmãs são geneticamente iguais, conforme relata a mãe — Foto: Divulgação/Tania Ramalho

Irmãs são geneticamente iguais, conforme relata a mãe — Foto: Divulgação/Tania Ramalho

“Foi uma gravidez inesperada e eu tive complicações no final que quase me fizeram perdê-la. Mas, no fim deu tudo certo. Na época em que a Yasmim descobriu a leucemia, a Ana tinha pouco mais de um mês. Dentro do meu coração eu tinha certeza que seria ela, até cheguei a comentar isso com a doutora”.

Ainda não há previsão para o transplante de medula. Na próxima semana, Yasmin deve receber alta médica e ir para a casa. Logo depois, será encaminhada para um especialista no procedimento, que iniciará o processo pré-transplante.

Para a mãe, o tratamento já deu certo. “Ela está reagindo muito bem a todos os procedimentos feitos até agora. A vontade dela de vencer vai além. Deus é maravilhoso. Ela tinha três meses para achar o doador e, em menos de um, achamos um dentro de casa. A neném veio na hora certa”, finaliza.

Descoberta da doença

Yasmim recebeu o diagnóstico no dia 15 de março de 2019, após a menina apresentar manchas na esclera, a membrana branca do olho. Com a descoberta, ela deu início ao tratamento e, após cinco sessões de quimioterapia, em agosto, a medula de Yasmim entrou em remissão, ou seja, quando não há mais sinais de atividade da doença no sangue.

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O acompanhamento médico continuou mensalmente para saber se a leucemia realmente havia ido embora. Em dezembro, os exames estavam sem alterações e sem sinais de células cancerígenas. Pouco depois, a garota começou a reclamar de dor nas pernas.

“Apesar disso, ela não parava, brincava o dia todo. Resolvi comentar com a médica e a equipe passou a investigar. No dia 6 de janeiro, quando voltamos para a consulta de rotina, a médica me deu a notícia de que a doença havia voltado”, informa Daniela.

Yasmin Marques tocou o 'sino da cura' em dezembro   — Foto: Daniela Cristina Marques/Arquivo pessoalYasmin Marques tocou o 'sino da cura' em dezembro   — Foto: Daniela Cristina Marques/Arquivo pessoal

Yasmin Marques tocou o ‘sino da cura’ em dezembro — Foto: Daniela Cristina Marques/Arquivo pessoal

Leucemia Mieloide Aguda

Conforme explica Victor Gottardello Zecchin, diretor clínico e coordenador do Centro de Transplantes de Medula Óssea do Hospital do Graacc, a leucemia é o ‘câncer do sangue’. As células sanguíneas são produzidas pela medula óssea, que é um órgão líquido localizado no interior dos ossos.

“O tempo todo nosso organismo produz células com defeitos, que passam por vários processos de ‘checagem’ antes de serem liberadas para a circulação. Se é detectado algum erro na célula, nosso organismo a destrói. Eventualmente, alguma destas células defeituosas escapa destes processos e começa a gerar outras células iguais a ela, todas com defeito, o que dá origem ao câncer”, esclarece.

O médico informa que a necessidade de transplante de medula ocorre em casos de alto risco ou então quando a doença é tratada e volta a aparecer. Ainda de acordo com ele, o resultado do transplante depende de uma série de fatores, porém, ainda hoje os melhores resultados são obtidos com um doador familiar (em geral, o irmão ou irmã) totalmente compatível.

Yasmim Marques Brito, de Cubatão, SP, luta contra leucemia mielóide aguda — Foto: Arquivo pessoal

Por: G1

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