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Eleições: fala de Bolsonaro não convenceu boa parte dos embaixadores

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Presidenciáveis também criticaram ataque de Bolsonaro contra o TSE
Iano Andrade / CNI

Presidenciáveis também criticaram ataque de Bolsonaro contra o TSE

discurso do presidente Jair Bolsonaro sobre as brechas que existem no sistema eleitoral brasileiro não convenceu boa parte dos embaixadores que participaram da reunião de ontem no Palácio da Alvorada. 

Segundo diplomatas estrangeiros ouvidos pelo GLOBO, os relatos a serem encaminhados a seus respectivos países é que Bolsonaro não apresentou qualquer prova que justificasse esse posicionamento contrário às urnas eletrônicas.

Alguns disseram estar preocupados com a democracia no Brasil, “uma das maiores do mundo”. Um embaixador comentou que, diante da falta de algo mais concreto, a saída é torcer para que as instituições brasileiras funcionem e um entendimento entre Bolsonaro e o Poder Judiciário permita que as eleições transcorram sem problemas, para que o resultado final não seja questionado.

De acordo com um diplomata estrangeiro, além de não haver nada além do que já foi propagado por Bolsonaro, como um suposto ataque hacker às urnas, o presidente brasileiro demonstrou, ao atacar ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) e do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), que essa briga tem um forte componente político. 

Causou constrangimento ataques nominais e diretos contra os ministros Luís Carlos Barroso (ex-presidente do TSE), Edson Fachin (atual presidente do TSE) e Alexandre Morais (ministro do STF).

Outro chefe de representação diplomática disse ao GLOBO que a base de seu relato será que Bolsonaro tentou desacreditar, mais uma vez, o sistema eleitoral brasileiro e voltou a ameaçar a democracia, ao atacar ministros dos tribunais. Segundo esse embaixador, o presidente brasileiro insistem em repetir teorias da conspiração.

Houve, ainda, quem dissesse que o que mais chamou a atenção foram os ataques de Bolsonaro a seu principal adversário na eleição, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Antes das pesquisas confirmarem o favoritismo de Lula, o presidente brasileiro não questionava o sistema eleitoral como atualmente.

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Uma declaração que considerada um desestímulo foi quando Bolsonaro criticou aqueles que defendem o imediato reconhecimento do resultado da eleição no Brasil. Nas últimas semanas, alguns embaixadores defendiam essa estratégia, mas o presidente deixou claro que não concorda com esse caminho.

De forma geral, os diplomatas comentaram o encontro sem de identificar. O embaixador da Suíça, Pierre Lazzeri, foi uma exceção. Após o encontro, em uma rede social, ele afirmou esperar que as próximas eleições sejam uma “celebração da democracia”.

“Participei hoje no Palácio da Alvorada do encontro do presidente da República com Chefes de Missão Diplomática. No ano do Bicentenário do Brasil, desejamos ao povo brasileiro que as próximas eleições sejam mais uma celebração da democracia e das instituições”, escreveu Lazzari.

O interesse pelo que Bolsonaro iria dizer sobre as eleições foi refletido pelo grande número de participantes. Interlocutores envolvidos com o evento esperavam algo em torno de 30 a 40 embaixadores, mas cálculos feitos por alguns convidados estavam na reunião mostram que havia entre 65 e 80 pessoas do corpo diplomático. O Palácio do Planalto não divulgou a lista de embaixadores presentes.

Apesar da ampla participação, países importantes para a política externa brasileira, como Argentina, China e Reino Unido, ficaram de fora da apresentação. Essas embaixadas não foram convidadas e a justificativa dada por integrantes do governo brasileiro é que esses postos estão sem titulares.

Esse argumento, contudo, não se aplicou aos Estados Unidos, que também está sem embaixador. O chefe do posto em Brasília, Douglas Koneff, encarregado de negócios da embaixada, participou como convidado da reunião.

Casa Branca tem especial preocupação com o comportamento de Bolsonaro, que chegou a lançar dúvidas sobre o resultado das eleições americanas, quando o democrata Joe Biden venceu o republicano Donald Trump — ídolo do presidente brasilero e os chamados ideólogos de direita do governo brasileiro.


Segundo uma fonte do governo ligada à área internacional, o critério para o envio de convites foi o “bom senso”. Também foram citados dois outros fatores: além da falta de embaixadores fixos nos postos, pesou na elaboração da lista de convidados o nível de interesse do país sobre a eleição no Brasil.

Alguns embaixadores foram convidados, mas não compareceram. São exemplos os do Japão, Teiji Hayashi, que alegou compromissos em São Paulo, e o da Coreia do Sul, Lim Ki-mo, que está em Seul.

Entre os embaixadores convidados que compareceram, estavam os de Portugal (Luís Faro Ramos), da Rússia (Alexey Labetskiy), da França (Brigitte Collet), da Espanha (Fernando García Casas), do Uruguai (Guillermo Valles Galmés), da Itália (Francesco Azzarello), do Marrocos (Mohamed Louafa) , da Palestina ( Ibrahim Alzeben) e da Colômbia (Dario Montoya).

Indicada por Juan Guaidó — presidente interino da Venezuela, reconhecido pelo Brasil e outros países — Maria Teresa Belandria também participou. Para o governo Bolsonaro, o mandato do venezuelano Nicolás Maduro é ilegítimo.

O Itamaraty teve pouca participação nos preparativos da reunião. A agenda ficou por conta do Palácio do Planalto, inclusive o envio de convites. O evento não estava previsto no site do Ministério das Relações Exteriores, mas o chanceler Carlos França participou do encontro, junto com outras autoridades.

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Fonte: IG Política

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Flow: Bolsonaro volta a defender remédios ineficazes contra a Covid-19

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Jair Bolsonaro sendo entrevistado no Flow Podcast
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Jair Bolsonaro sendo entrevistado no Flow Podcast

Em entrevista ao podcast “Flow”, o  presidente Jair Bolsonaro (PL) disse que “o Brasil é o país com menos sofreu com a Covid-19” logo no início da conversa. Hoje, o país ultrapassa o número de 680 mil mortes por conta do coronavírus. O candidato à Presidência também questionou a imunização contra a doença e voltou a defender os medicamentos ineficazes.

O mandatário ainda admitiu ter recebido orientações para evitar o assunto para perder eleitores, mas disse não se importar e que prefere dizer “a verdade”, segundo ele.

Apesar da fala de Bolsonaro, pesquisas mostram a queda no número de mortes acompanham o avanço da vacinação. Ele ainda disse que preferiu não se vacinar contra a Covid-19, embora tenha imposto sigilo de cem anos em sua carteira de vacinação.

“O pessoal me recomenda: ‘não toque nesse assunto’. Poxa, eu tenho que valar a verdade para o pessoal. Não quer votar mais em mim, lamento, né, posso fazer o quê? Eu tenho que falar a verdade”, disse o presidente.

Enquanto Bolsonaro falava sobre a questão da pandemia durante a entrevista, o programa exibido pela plataforma Youtube, destacava na legenda: “Lembre-se de pesquisar tudo o que foi dito neste programa”.

“Eu não tomei vacina. Me recomendaram até a tomar uma água destilada. Eu não vou. Posso enganar a você, mas não vou enganar a mim. Influencia alguns (a não tomar a vacina). Não é que a minha palavra tá valendo, eles foram ler a bula”, disse.

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Bolsonaro citou estudos de Israel que apontam a perda de eficácia da vacina da Pfizer. Entretanto, a aplicação da quarta dose para adultos acima de 40 anos, imunossuprimidos e profissionais de saúde quatro meses após a terceira dose, é recomendada pelo Ministério da Saúde.

Apesar das críticas, Bolsonaro disse que as doses de vacina contra o coronavírus seguirão sendo disponibilizadas:

“Tem gente que quer tomar a terceira, quarta dose. Sem problema nenhum, enquanto quiser tomar, vamos dar a vacina. Agora, respeite quem não quer tomar a vacina”, disse.

Ademais, o presidente  voltou a defender medicamentos comprovadamente ineficazes contra a Covid-19, como a hidroxicloroquina.

“Eu acho que deviam tomar. Eu tomei e fiquei bem, 90% tomaram e tão bem”.

Bolsonaro ainda diz que a “liberdade médica” foi cassada durante a pandemia.

“O meu ministro da saúde, o tal do Mandetta, ele fez um protocolo e quem tava com Covid ia pra casa e quando sentia falta de ar, ia para o hospital. Aí eu falei ‘ vai pro hospital fazer o que? Ser intubado?’. Por que você não garante a liberdade do médico de clinicar seu paciente? Porque o médico sabe disso. Se chega alguém que tá passando mal que pode morrer, ele pode receitar alguma coisa em comum acordo com o paciente ou com a família”.

O Chefe do Estado também comentou sobre a questão do contrato da Pfizer ter chegado no Brasil e ele não ter aceitado prontamente, questão tratada durante a CPI da Covid, onde foi divulgado que 101 e-mails com ofertas de venda e reforço da disponibilidade das doses foram ignorados pelo governo brasileiro, o que poderia ter adiantado o  início da vacinação no Brasil.

Bolsonaro justificou que a oferta chegou em maio de 2020 e não aceitou, pois, segundo ele, a farmacêutica não se responsabilizava pelos efeitos colaterais.

“Me acusam de não ter comprado vacina. Li o contrato da Pfizer e tava escrito: “Não nos responsabilizamos pelos efeitos colaterais”. Falei não, pô”.

Antes de estar disponível para o cidadão, qualquer vacina ou medicamento passa primeiramente pela Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária). A agência avalia os estudos de eficácia da vacina, ou seja, quanto que ela funciona, e os estudos de segurança, isto é, as reações adversas, efeitos colaterais e problemas observados nas pessoas que se vacinaram. Ou seja, é verdade que as empresas não se responsabilizam pelos possíveis efeitos colaterais, mas ela dispõe de dados, resultados e acompanhamentos para que uma agência de saúde possa aprovar ou não um imunizante com segurança. Se aprovado, é porque a vacina tem sua segurança cientificamente comprovada.

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Fonte: IG Política

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