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Tecnologia

Consumo de novas tecnologias ajuda a manter inflação baixa

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A mudança no hábito do consumo das famílias provocada pela popularização dos aplicativos de transporte e compras em geral está contribuindo para um comportamento mais favorável dos preços dos serviços no país e ajudando a manter a inflação mais baixa.

As principais consequências da incorporação dos aplicativos no consumo diário são o aumento da concorrência em vários setores e a possibilidade de comparar valores, o que leva a uma tendência de queda dos preços.

Os benefícios dessa onda tecnológica ficam evidentes na inflação de serviços: em 2019, ela marcou 3,5%, abaixo da inflação geral, que ficou em 4,31%. No acumulado dos últimos 12 meses encerrados em janeiro, o IPCA ficou em 4,19%, enquanto a inflação de serviços atingiu 3,3%.

Até o fim de 2020, mesmo com a expectativa de aceleração da atividade econômica, a inflação de serviços deve seguir comportada: entre 3,5% e 4,6%, segundo analistas consultados pelo G1.

Preços controlados — Foto: Arte/G1Preços controlados — Foto: Arte/G1

Preços controlados — Foto: Arte/G1

“Essa discussão tem sido muito forte, de quanto a tecnologia pode ajudar a reduzir os preços na economia, de como esses ganhos tecnológicos ajudaram as empresas a reduzir custo e aumentar a produtividade”, diz economista-chefe da Claritas, Marcela Rocha.

A inflação de serviços sempre foi um entrave para a economia brasileira porque, historicamente, rodou acima do Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), considerado a inflação oficial do Brasil. No cálculo de serviços entram, por exemplo, gastos com cuidados pessoais, como manicure, despesas com hotéis, transporte e alimentação fora de casa, entre outros.

Nas economias mais avançadas, o impacto da tecnologia na inflação tem sido chamado de “efeito Amazon”. A gigante de tecnologia se tornou símbolo desse movimento porque criou um modelo de distribuição de produtos que reduziu os custos de operação e, consequentemente, os preços – e que passou a ser copiado mundo afora.

“Essas novidades tecnológicas produzem 2 efeitos relevantes. O primeiro é a comparação de preços: Amazon, Buscapé, Rappi e outras empresas, colocam todas as lojas disponíveis em uma mesma plataforma e [o consumidor] consegue comparar. Isso traz um grau de competitividade maior e faz com que haja um reajuste de preços de forma mais coordenada”, diz Júlia Passabom, economista do Itaú-Unibanco.

“O segundo é a própria competição. Novos competidores às vezes chegam com políticas de preços mais agressivas”, completa.

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Os efeitos do impacto da tecnologia da inflação devem começar a ficar mais evidentes nas próximas divulgações do IPCA. Com as mudanças de comportamento do consumidor apontadas na Pesquisa de Orçamentos Familiares (POF) 2017-2018, o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) alterou a lista de itens que serão apurados para calcular a inflação.

Saem da conta itens que caíram em desuso e cujo peso ficou menor no orçamento das famílias, como aparelhos de DVD, máquinas fotográficas, microondas e liquidificadores; e entram serviços e produtos que ganharam importância na última década, como transporte por aplicativos e serviços de streaming, por exemplo.

“O que os modelos mostram é que a inflação de serviços deve seguir muito baixa em 2020, também em 3,5%. O PIB está acelerando, tem alguma retomada da atividade, mas a inflação segue num ritmo comportado e, talvez, isso não seja só pelo nível do emprego”, diz Marcela.

Mudança de hábito do brasileiro altera cálculo do IPCA

Mudança de hábito do brasileiro altera cálculo do IPCA

Novos hábitos

Levantamento realizado pelo Centro Regional de Estudos para o Desenvolvimento da Sociedade da Informação (Cetic.br) revela bem como a tecnologia mudou o hábito de consumo do brasileiro.

Em 2018, de acordo com o Cetic.br, 70% dos brasileiros (126,9 milhões de pessoas) utilizavam a internet. Desses, 60% realizaram algum tipo de pesquisa de preço, 34% compraram ou encomendaram produtos ou serviços, e 19% divulgaram ou venderam produtos ou serviços.

O estudo também mostrou que 32% dos usuários de internet pediram táxis ou motoristas por aplicativos. Além dos aplicativos de transporte, outros serviços foram realizados online:

  • 28% pagaram por serviços de filme ou série pela internet;
  • 12% fizeram pedidos refeições em sites ou aplicativos;
  • 8% pagaram por serviços de música pela internet
  • 5% fizeram reservas quartos ou acomodações pela internet em site e aplicativos

“O mercado de compras via internet é um mercado que está crescendo”, afirma o analista de pesquisas do Cetic.br, Winston Oyadomari. “Quem oferece algum serviço pela internet está lidando com um mercado consumidor em expansão.”

Em 2018, 12% fizeram pedidos refeições em sites ou aplicativos — Foto: Carlos Jasso/ReutersEm 2018, 12% fizeram pedidos refeições em sites ou aplicativos — Foto: Carlos Jasso/Reuters

Em 2018, 12% fizeram pedidos refeições em sites ou aplicativos — Foto: Carlos Jasso/Reuters

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Depois que a estação Moema, do Metrô, foi inaugurada, o designer Celso Soares, de 30 anos, decidiu vender o carro em 2018. Para se locomover em São Paulo, começou a utilizar um aplicativo que mostra as rotas de transporte público.

“Sou de Brasília e lá a maioria das pessoas utiliza carro. Antes, até a inauguração da estação do Metrô do lado da minha casa, não tinha o costume de usar transporte público”, afirma.

Celso ainda não fez as contas de quanto economizou com a troca do carro pelo transporte público, mas lembra que passou a não ter gastos com estacionamento e gasolina.

Inflação de serviços, velho problema

A mudança tecnológica ajuda a explicar apenas uma parte da fraqueza da inflação de serviços no IPCA. Os analistas também ponderam que a lenta retomada da atividade econômica tem sido responsável pelo comportamento desse grupo de preços.

“A inflação de serviços fica mais baixa porque o produto [economia] não está crescendo perto de seu potencial”, diz Júlia Passabom, do Itaú.

A inflação de serviços costuma responder ao desempenho da economia. Se a atividade acelera e a taxa de desemprego cai, os preços de serviços costumam subir. O oposto também ocorre: se há aumento do desemprego, os custos dos serviços tendem a desacelerar, já que há menos gente disposta a consumir. No trimestre encerrado em fevereiro, o desemprego seguia elevado.

Essa dinâmica se dá porque, quando a economia está aquecida, há mais margem para o repasse de preços. “Não vemos pressão na inflação vindo da atividade econômica”, afirma Lais Carvalho, economista do banco Santander. “A recuperação da economia já era gradual, e ela tende a ser ainda mais”, afirmou.

Por anos, a economia brasileira lidou com uma inflação de serviços bastante elevada. Em 2011, por exemplo, subiu 9,6%. Naquele momento, a economia brasileira ainda mantinha um certo ritmo de crescimento e o país tinha pleno emprego. Ao longo dos últimos anos, a inflação de serviços só cedeu em 2017, quando o encerrou o ano em 4,5%.

“A redução da inflação dos últimos anos não teria acontecido se a inflação de serviços não tivesse caído também”, afirma Marcel Balassiano, pesquisador do Instituto Brasileiro de Economia, da Fundação Getúlio Vargas (Ibre/FGV).

Por: G1

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Tecnologia

Microsoft anuncia a aposentadoria do Internet Explorer

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Microsoft anunciou nesta semana que, a partir de 17 de agosto de 2021, nenhum aplicativo ou serviço da empresa será compatível com o Internet Explorer 11, lançado em 2013. Com a decisão, a empresa encerra o ciclo do navegador criado em 1995.

“Embora saibamos que essa mudança será difícil para alguns clientes, acreditamos que os clientes obterão o máximo do Microsoft 365 ao usar o novo Microsoft Edge . Estamos empenhados em ajudar a tornar essa transição o mais suave possível”, disse a empresa em seu blog oficial.

Segundo o cronograma divulgado pela Microsoft:

  • A partir de 30 de novembro de 2020, o aplicativo da web Microsoft Teams não oferecerá mais suporte ao Internet Explorer;
  • A partir de 17 de agosto de 2021, todos os aplicativos do Microsoft 365 não serão mais compatíveis com o IE 11.
Cronograma de aposentadoria do Internet Explorer — Foto: Divulgação Microsoft

Cronograma de aposentadoria do Internet Explorer — Foto: Divulgação Microsoft

Apesar de não oferecer mais suporte ao Internet Explorer, a empresa afirma que ele não irá acabar de vez. “Queremos deixar claro que o IE 11 não vai desaparecer e que os próprios aplicativos e investimentos do IE 11 herdados dos nossos clientes continuarão.”

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Internet Explorer 11: Microsoft acaba com o suporte ao navegador — Foto: Reprodução

Internet Explorer 11: Microsoft acaba com o suporte ao navegador — Foto: Reprodução

Para o lugar do Internet Explorer, a Microsoft recomenda o navegador que foi o sucessor dele: o Edge.

“Os clientes usam o Internet Explorer 11 desde 2013, quando o ambiente online era muito menos sofisticado do que o cenário atual. Desde então, os padrões da web abertos e navegadores mais novos – como o novo Microsoft Edge – possibilitaram experiências online melhores e mais inovadoras.”

Por fim, a empresa disse que também ajudará seus clientes a migrarem serviços e aplicações do IE para o Microsoft Edge.

história do Internet Explorer começou em 1995 e chegou a ser o principal navegador do mercado. Porém, uma série de problemas com o aplicativo ao longo dos anos e a chegada de concorrentes, como o Mozilla Firefox e o Google Chrome, que têm usabilidade mais simples, praticamente acabou com o domínio do IE.

Por: G1

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