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Congresso cobra diálogo de Bolsonaro com Alberto Fernández

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Bolsonaro com feição séria arrow-options
Isac Nóbrega/PR – 24.10.19

Bolsonaro lamentou vitória de Fernández e disse que não vai cumprimentá-lo

Parlamentares de partidos variados que integram as comissões de Relações Exteriores e Defesa Nacional do Senado e da Câmara cobraram uma postura menos bélica do governo brasileiro em relação ao presidente eleito da Argentina , Alberto Fernández . De forma geral, a avaliação de governistas e opositores é que atitude hostil e inédita do presidente J air Bolsonaro de não querer cumprimentar o candidato vencedor das eleições de domingo não pode se sobrepor ao diálogo entre os dois maiores sócios do Mercosul.

– Sem noção! Eleições em países vizinhos não nos dizem respeito. Temos um fluxo importante de comércio com a Argentina nas manufaturas e isso pode nos atrapalhar muito. Temos que unir forças para brigar contra o desemprego e a fome que assola os brasileiros – disse a senadora Kátia Abreu (PDT-TO), ex-ministra da Agricultura no governo da ex-presidente Dilma Rousseff.

O líder do PSL no Senado, Major Olímpio (GO), ponderou ter sido “desnecessário” o gesto de Fernández de ter defendido Lula Livre, mas lembrou que a Argentina é o terceiro maior comprador de produtos brasileiros, especialmente de bens industrializados. Defendeu responsabilidade, “para não gerar prejuízo às nações”.

“Posso não ter gostado do resultado da eleição, e de fato não gostei. Contudo, os dois presidentes saberão se respeitar. Os dois países estão numa situação bastante complicada e ninguém vai querer atrapalhar a vida um do outro”, disse Olímpio.

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Para o senador Randolfe Rodrigues (Rede-AP), Bolsonaro está se comportando como “um menino mimado e irresponsável”, ao colocar em risco as relações entre o Brasil e o país vizinho. Já o vice-presidente da Comissão de Relações Exteriores do Senado, Marcos de Val (Podemos-ES), acredita que a situação ficará mais difícil a partir de agora.

“Até porque ganhou a eleição um governo de esquerda, em que a vice-presidente eleita (Cristina Kirchner) é acusada de corrupção. Mas o Mercosul é muito importante”, disse de Val.

O deputado Carlos Zaratini (PT-SP) criticou o que chamou de intromissão de Bolsonaro em assuntos internos. Ele acredita que,  por trás desse ato hostil, está a intenção de retirar o Brasil do Mercosul e abrir o mercado brasileiro para os Estados Unidos e outras potências.

“Esperamos que seja apenas o calor dos ânimos e que Bolsonaro recue, assim como fez em relação aos árabes, à embaixada do Brasil que seria transferida para Jerusalém e à China. Brasil e Argentina são muito interdependentes para terem qualquer tipo de enfrentamento concorrencial”, afirmou o senador Humberto Costa (PT-PE).

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De maneira geral, se o governo brasileiro quiser negociar acordos sozinho com outros parceiros que não fazem parte do Mercosul, ou mesmo deixar o bloco, a interpretação mais comum é que o Executivo poderia de agir dessa forma sem o aval do Parlamento. No entanto, nada impede que o Congresso vote um decreto legislativo sustando a decisão.

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Diálogo na transição

Na avaliação de fontes da área diplomática, os ânimos devem se acalmar no período de transição entre os governos do atual presidente Maurício Macri e do eleito Alberto Fernández. Aliado de Jair Bolsonaro, Macri poderá exercer um papel importante nessa conciliação, cujo fim será preservar o Mercosul.

“Há certas coisas que são perdoáveis entre candidatos. O candidato tem uma licença para agir de uma maneira que o presidente eleito, ou empossado, não tem. O que não dá é para dois grandes vizinhos e amigos brigarem de forma infantil. É essencial, agora, estabelecer as relações no patamar em que elas sempre estiveram”, disse o diplomata aposentado Marcos Azambuja, ex-embaixador do Brasil na França e na Argentina.

É preciso uma mudança completa no discurso. A relação não pode ser contaminada pela desconfiança. A diplomacia é um ofício antigo, que tem linguagem e discurso próprios, e não pode se transformar em uma coisa de comadres”, completou.

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Para Rubens Ricupero, diplomata e ex-ministro da Fazenda do governo do ex-presidente Itamar Franco, a crise atual não deverá resultar em problemas graves. Segundo ele, Brasil e Argentina já brigaram antes por questões ideológicas.

Isso não é uma crise, e sim uma questão ideológica dos dois lados. No fim do governo militar, o então presidente João Figueiredo não se dava com o argentino Raul Alfonsín. No entanto, assinaram acordos comerciais importantes. O determinismo geográfico vai fazer com que o bom senso prevaleça”, disse Ricupero.

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Após ser alvo de representação, Kajuru desafia Flávio no Conselho de Ética

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Senador Jorge Kajuru (Cidadania-GO) divulgou áudio de conversa com Bolsonaro
Edilson Rodrigues/Agência Senado

Senador Jorge Kajuru (Cidadania-GO) divulgou áudio de conversa com Bolsonaro

Após ser representado pelo senador Flávio Bolsonaro (Republicanos-RJ) no Conselho de Ética nesta segunda-feira (12), o senador Jorge Kajuru (Cidadania-GO) disse que desafia o filho do presidente Jair Bolsonaro (sem partido) a um escrutínio do colegiado. Flávio é investigado no inquérito das “rachadinhas”, que apura um esquema de corrupção e lavagem de dinheiro no gabinete do parlamentar na Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj).

Kajuru disse que riu ao saber da representação de Flávio Bolsonaro no Conselho de Ética . O filho do presidente alegou que o colega de Senado teve uma “conduta imoral” ao gravar Bolsonaro sem consentimento e divulgar o áudio em que ele falava sobre a criação da CPI da pandemia .

“Eu ri, eu ri, o que posso fazer? Nessa hora, você tem que rir. Para mim, foi motivo de dar risada logo ele, entre 81 senadores, o que me representa no Conselho de Ética é quem exatamente deveria estar no Conselho de Ética? Porque eu nunca fui acusado de crime. Nenhuma esfera da Justiça nunca me denunciou por nada, nem na minha vida jornalística, nem na minha vida política. A Polícia Federal nunca foi na minha casa às 6h30 da manhã, eu nunca fui manchete negativa do Jornal Nacional. Eu fiz um convite a ele: Já que ele me quer no conselho de ética, eu também faço o mesmo convite: vamos juntos, vamos ver se você tem coragem de ir lá e explicar uma denúncia grave contra você”, disse Kajuru.

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O senador reafirmou que está tranquilo sobre a apuração do Conselho de Ética e colocou a quebra do sigilo telefônico à disposição.

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“Ele (Bolsonaro) não só sabia (que estava sendo gravado) como respondeu pra mim: ‘Kajuru, não tenho nada a esconder’, quando comuniquei a ele que ia para o ar às 12h40. Pode abrir o sigilo telefônico dos dois. Vamos ver quem está falando a verdade. Estou tranquilíssimo, consciência limpa, fiz a minha missão e a cumpri de forma completamente honesta e indiscutível e insofismável”, disse.

Kajuru minimizou o fato de o Cidadania convidá-lo a deixar o partido. O senador disse que partiu dele a sinalização que abandonaria da legenda por divergir da cúpula. Kajuru disse que é independente e negocia sua ida para o Podemos.

“Eu os avisei hoje cedo. Há três meses estou acertando com o senador Álvaro Dias para ir para o Podemos. Eu só continuei no Cidadania por respeito por admiração ao Alessandro (Vieira, senador), a Eliziane (Gama, senadora) e ao carinho do Roberto Freire, mas eu não sou obrigado a concordar com tudo o que o Roberto Freire quer. Quando eu vi que tinha gente do partido contra a CPI (que inclui Estados e municípios) eu me decepcionei, acabou o casamento. Com o acontecimento de hoje, eu me antecipei: podem me expulsar, fazer o que quiser, eu não estou nem aí. Quero ir para o Podemos”, disse Kajuru. “Eu fiquei feliz. Foi a melhor notícia da minha vida hoje foi essa. Estou livre para ir para o partido que eu quero”, completou.

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