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EDUCAÇÃO

Candidatos com mais de 30 anos farão Enem para buscar qualificação

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A odontóloga Ana Luiza Pelegrinelli, de 32 anos, decidiu mudar os rumos da carreira e buscar uma segunda graduação. Morando em Brasília, ela é um dos quase 600 mil participantes do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) que têm mais de 30 anos de idade.

O exame, a ser aplicado nos dias 3 e 10 de novembro, é usado como alternativa para quem deseja realizar o sonho de cursar o ensino superior, buscar uma melhor posição no mercado de trabalho ou mesmo mudar de carreira.

Atuando como dentista desde 2012, ela pretende agora cursar Medicina. A parte mais difícil, explica, é encaixar os estudos na rotina já corrida. Ana Luiza estuda por cerca de oito horas por dia e dedica os fins de semana aos conteúdos do Enem. Mas, como a idade compensa, ela diz que lida com ansiedade e com o preparatório de forma diferente como tratou na primeira graduação.

“A cobrança está mais tranquila comigo mesma”, afirma. “Com certeza a maturidade traz coisas impagáveis. Eu percebo fazendo questões como a minha cabeça funciona melhor na interpretação dos exercícios, no modo de enxergar o que a questão pede. Eu mudei muito e acho que isso faz diferença”, revela.

Trabalho e estudos

Aos 41 anos, Marcelo Petri, já superou a etapa da prova e hoje cursa Direito com uma bolsa integral graças ao Enem. Esta é a primeira graduação dele, que decidiu recorrer ao ensino superior para ter um melhor posicionamento no mercado de trabalho. “Quando eu receber o diploma, vou continuar os estudos até conseguir um bom concurso ou algo do tipo, conseguir estabilidade”, diz Petri, que trabalha no setor de vendas de uma fábrica de esquadrias.

Conciliar trabalho e estudos não é novidade para ele, que, desde os 12 anos de idade, está no mercado de trabalho. “A gente tem vontade de evoluir, mas sabe que, sem ter graduação, fica estagnado no mercado”. Foram três anos até conseguir nota suficiente para ingressar no ensino superior.

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Ele estuda no Centro Universitário São Camilo, em Cachoeiro de Itapemirim, no Espírito Santo, e trabalha em Iconha, município a 40 kms de distância. “A minha dificuldade na faculdade foi acompanhar os jovens, que vêm de ensino médio, que tem bagagem. Eu estava há muito tempo parado. Senti dificuldade no começo, mas agora, no segundo período, estou conseguindo acompanhar e tirar boas notas”, confessa.

Busca por qualificação

Segundo o fundador da LS Sistema de Ensino, Leandro Souza, o ensino superior faz a diferença no mercado brasileiro. A Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (Pnad Contínua), do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), mostra que aqueles com ensino superior completo registram rendimento médio aproximadamente três vezes maior que o daqueles com somente o ensino médio completo e mais de seis vezes o daqueles sem instrução.

“O público com mais de 30 anos tem ansiedade para resolver a vida, quer fazer um concurso público, quer se qualificar para almejar um cargo melhor. São pessoas com família. Muitos têm filhos, têm emprego, não podem ficar o dia inteiro no cursinho”, argumenta.

Apesar da falta de tempo, esse público tem certas vantagens. “O que eu vejo é que estudantes mais velhos às vezes têm o ponto negativo de que alguns estão há algum tempo sem estudar e isso desanima o recomeço, mas, a partir do momento que superam o medo e acreditam que é possível, têm o benefício da história de vida, de mais responsabilidade e organização”, opina o professor de Biologia do curso Descomplica, Rubens Oda.

Tanto a LS Sistema de Ensino quanto o Descomplica oferecem serviços online para quem quer se preparar para o Enem. “A prova do Enem é previsível, tem todo ano”, observa Souza, ao comparar o exame a concursos públicos. “A prova é um pacote fechado, já se sabe as disciplinas mais cobradas, tem um histórico dos últimos anos”, o que, segundo ele, facilita os estudos.

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Na reta final para o exame, Oda recomenda que os estudantes revisem as matérias. “Não é em uma semana que o estudante vai aprender todas as matérias que vão cair no Enem. É muito importante que se dedique à revisão dos principais conteúdos que apareceram nas provas, para que, a partir dessa revisão, consigam aumentar as notas”, recomenda.

Enem 2019

O Enem será realizado nos dias 3 e 10 de novembro, em 1.727 municípios. Cerca de 5,1 milhões de pessoas estão inscritas para o exame. Desse total, aproximadamente 1,5 milhão concluirá o ensino médio este ano. Os demais já deixaram a escola ou estão fazendo o exame como treineiros, apenas para testar os conhecimentos. A maior parcela dos candidatos, 26,7%, situa-se entre 21 e 30 anos.

Para ajudar a se preparar para o Enem, a Empresa Brasil de Comunicação (EBC) criou a plataforma Questões Enem, que pode ser acessada gratuitamente. Nela, os estudantes fazem um cadastro e podem selecionar o que desejam estudar.

O site cria uma prova com questões reais do Enem, que foram aplicadas entre 2009 e 2018. Logo em seguida, o candidato recebe um gabarito.

Já a Plataforma Atualidades Enem reúne a cobertura realizada pelos veículos da EBC sobre os principais fatos deste ano para ajudar os estudantes a se preparar para a prova e facilitar a busca por conteúdos atuais.  

Edição: Kleber Sampaio

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EDUCAÇÃO

Enem em tempos de pandemia: o que muda na preparação dos jovens para a prova de 2020

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O Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep) divulgou, nesta terça-feira (31), as regras para o Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) 2020. Nesta edição, a prova será aplicada nas versões impressa e digital.

Em meio à pandemia do coronavírus, o Inep dobrou o número de candidatos que poderão participar da versão digital da prova – agora, serão 100 mil participantes. A escolha é voluntária e deve ser feita no ato da inscrição.

As inscrições para as provas impressa e digital ocorrem de 11 a 22 de maio. O edital mantém a data de aplicação da prova impressa divulgada anteriormente: 1º e 8 de novembro.A data do Enem digital também está mantida: será em 11 e 18 de outubro.

O que muda?

João Pedro Panza, co-fundador e diretor de comunicação do projeto de educação Face Educa, da faculdade de Economia da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), diz que esse momento pode ter reflexos positivos no futuro. Panza afirma que criar horários de estudo, fazer revisão e ter momentos de descanso é extremamente importante. “E sempre ressaltando que cada estudante tem sua limitação, não adianta estudar o dia inteiro sem algum tipo de planejamento e sem intervalos de descanso”.

“Não existe mais um horário de início e término das aulas, a internet facilita muito o estudo, mas é importante não deixar a produtividade cair. A procrastinação, tão citada nas salas dos pré-vestibulares, está mais perto de nós do que nunca” – João Pedro Panza, co-fundador e Diretor de Comunicação do Face Educa da UFMG.

O diretor do Cursinho da Poli, Gilberto Alvarez, diz que neste momento de quarentena é importante que o candidato seja organizado e faça uma boa rotina de estudo.

“Para além das ansiedades familiares, das preocupações cotidianas e das dúvidas atuais sobre a quarentena e a economia, o candidato deve colocar junto dessas preocupações a necessidade de estudar todos os dias” –Gilberto Alvarez, diretor do Cursinho da Poli.

Alvarez recomenda que o estudante divida a sua rotina em três:

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  • momento com a familia
  • estudo
  • lazer

Rotina de estudo

Alvarez recomenda que as rotinas de estudo sejam feitas em um calendário e que ocupem o tempo desde segunda até sexta-feira. Para sábado e domingo, a sugestão é de que sejam dias exclusivos para a família e para o lazer.

Para os dias de estudo, é recomendado reservar de 4 a 6 horas, que devem ser dividas entre as disciplinas que são obrigatórias no Enem. O professor sugere que cada disciplina tenha 1 hora de estudo e 10 minutos de intervalo, sem esquecer os horários de almoço, lanche e jantar. “Durante essa uma hora de estudo é importante se concentrar e só se levantar da cadeira na hora dos intervalos”.

Fellipe Rossi, vice diretor acadêmico do colégio e curso de A a Z, afirma que, para não ficar para trás, os alunos precisam ter foco na disciplina: fazer e seguir a rotina que costumavam ter antes da quarentena.

“Por exemplo: se na segunda pela manhã tinha aulas de história e matemática no colégio e à tarde estudava o que aprendeu, vale repetir e fazer a mesma coisa atualmente. O perigo é que alunos possam acumular dúvidas e estudo nesse tempo” – Fellipe Rossi, vice diretor acadêmico do colégio e curso de A a Z.

Imagem mostra página do site do Enem — Foto: Reprodução site do EnemImagem mostra página do site do Enem — Foto: Reprodução site do Enem

Imagem mostra página do site do Enem — Foto: Reprodução site do Enem

Rotina de lazer e com a família:

Alvarez sugere que essa rotina seja programada para conviver com a familia. “Conversar, almoçar, jantar. Ter momentos de conversa é muito importante, porque ajudam a diminuir o estresse e as ansiedades”, diz.

“Compartilhamos com a família os medos, os dilemas e os conflitos. Nesses momentos de troca é onde o estudante ouve a família e a família ouve o estudante.”

Para a rotina de lazer, Alvarez recomenda que os estudantes vejam um filme, tenham um momento no celular – não precisa ser o tempo passado necessariamente com a família. As atividades devem ajudar a diminuir a ansiedade.

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Rossi indica que os candidatos tenha um plano que defina, também, os momentos de distração. Ele diz que os alunos podem sentir dificuldade na gestão e organização do tempo de estudo, tendo que ter mais disciplina e concentração.

Segundo ele é preciso, também, controlar o tempo no computador e nas redes sociais, que podem tirar o foco. “Outro fator que pode dificultar o estudo é o fato de que, na quarentena, a família inteira está em casa. Então, a presença de pais e irmãos também pode dificultar o ambiente de estudo”.

“Outra dica importante é definir horários para distração. Escolher alguns momentos do dia e acessar redes sociais, ler algo ou assistir a um capítulo de série. Ter horário de início e fim, tanto para o estudo quanto para a distração, é o ideal” – Fellipe Rossi, vice diretor acadêmico do colégio e curso de A a Z.

Mudanças nos cursinhos

Segundo Rossi, vice-diretor acadêmico do colégio e curso de A a Z, para os cursos e colégios, a maior dificuldade está em transportar a sala de aula para o computador. Mesmo para aqueles que já disponibilizam aulas e conteúdos online, este momento é desafiador, considerando que há um período mais extenso sem aulas presenciais.

Gilberto Alvarez afirma que o cursinho da Poli também teve que fazer algumas adaptações e ampliar os serviços on-line. Alvarez cita, por exemplo os cadernos dos estudantes que passaram a estar na plataforma digital, e a ampliação de diversas plataformas de apoio, como uma sala de orientação para ajudar o estudante na sua organização e, também, uma que ensina o aluno a estudar.

“A palavra de ordem para professores, monitores e gestores do preparatórios para o Enem é uma só: adaptação. Adaptar para desenvolver novas formas de fazer contato com os alunos, adaptar para aprender a estudar sem um tutor” – João Pedro Panza,co-fundador e Diretor de Comunicação do Face Educa da UFMG.

Por: G1

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