conecte-se conosco


POLÍTICA

Apoio do PIB e de juristas às urnas isolam Bolsonaro em ataques

Publicado em

POLÍTICA

Presidente da República, Jair Bolsonaro, participa da cerimônia de Abertura do 5º Fórum de Investimento Brasil 2022
Alan Santos/PR

Presidente da República, Jair Bolsonaro, participa da cerimônia de Abertura do 5º Fórum de Investimento Brasil 2022

Manifestos pró-democracia articulados por lideranças empresariais e do meio jurídico ganharam ainda mais força com adesões como da Federação Brasileira de Bancos (Febraban), e um dos documentos já supera as 100 mil assinaturas, incluindo setores do agronegócio, segmento em que o presidente Jair Bolsonaro tem forte apoio. Ontem, o presidente da Câmara, Arthur Lira (PP-AL), quebrou o silêncio sobre o assunto e afirmou confiar no sistema eleitoral, aumentando o isolamento do titular do Palácio do Planalto. Em outra frente, o presidente do Superior Tribunal Militar (STM), Luís Carlos Gomes Mattos, disse que não é função das Forças Armadas fiscalizar as eleições.

Lira havia sido uma das poucas autoridades a não se pronunciar sobre os ataques feitos pelo presidente em evento promovido há dez dias no Palácio da Alvorada, com embaixadores estrangeiros. Na ocasião, Bolsonaro criticou o sistema eleitoral e reiterou seu posicionamento de confronto com o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) e o Supremo Tribunal Federal (STF).

“Dei mais de 20 mensagens, mundo afora e internas, de que sempre fui a favor da democracia e de eleições transparentes e confio no sistema eleitoral. Não precisa de qualquer movimento público ou político (para) que isso se apresente de maneira sempre necessária. Instituições no Brasil são fortes, são perenes e não são e nunca serão redes sociais”, afirmou Lira.

Num sinal de preocupação com o isolamento de Bolsonaro, o presidente do PL, Valdemar Costa Neto, esteve ontem com o presidente do TSE, Edson Fachin, em reunião na qual, segundo relatos ao GLOBO, ele procurou “distensionar” a relação da Justiça Eleitoral com o Planalto e afirmou confiar no sistema eleitoral.

Outra reação aos ataques de Bolsonaro ao sistema eleitoral e às instituições está sendo articulado pelo presidente da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), Josué Gomes da Silva, por meio de um manifesto intitulado “Em Defesa da Democracia e da Justiça”, que recebeu ontem a adesão da Febraban, como antecipado pelo GLOBO. Gomes tem defendido que o documento não deve ser visto como apoio eleitoral a qualquer presidenciável.Ele é filho de José Alencar, ex-vice-presidente nos mandatos de Lula.

Leia mais:  'Casamento indissolúvel', diz Bolsonaro sobre Paulo Guedes

O texto colhe assinaturas institucionais, diferentemente da “Carta aos Brasileiros” articulada por juristas e pela Faculdade de Direito da Universidade de São Paulo (USP). Este outro documento, publicado na terça-feira, já ultrapassou a marca de 100 mil assinaturas, incluindo a de 12 ex-ministros do STF, além de empresários, políticos e artistas.

“Cartinha”

Os manifestos não mencionam Bolsonaro, mas ambos têm a mesma intenção: evidenciar que quaisquer ataques às instituições e ao estado de direito não são respaldados pela sociedade civil.

Em resposta a essas articulações, Bolsonaro afirmou, ontem, que não precisa de “nenhuma cartinha” para falar que “defende a democracia” nem de sinalização de apoio de “quem quer que seja” para mostrar que o caminho é “democracia, liberdade e respeito à Constituição”.

O manifesto da Fiesp ainda está em negociação e deve ser divulgado na próxima semana. Ele será lido no dia 11 de agosto, em evento na Faculdade de Direito da USP. No mesmo dia, um outro ato público, no mesmo lugar, contará com a presença do ex-ministro do STF Celso de Mello, que lerá a “Carta aos Brasileiros”. E no dia 1° de agosto, no Rio, lideranças de, entre outros, PT, PSDB, PSD, Cidadania, PV e PSOL farão ato em defesa da Justiça Eleitoral e pela não violência.

“O tom do manifesto é equilibrado. Chamamos a atenção para que, neste processo eleitoral polarizado, as instituições funcionem e que preservemos o estado democrático de direito, com respeito entre os Poderes”, diz Venilton Tadini, da Associação Brasileira da Infraestrutura e Indústrias de Base (Abdib), sobre o documento da Fiesp.

Leia mais:  Queiroz omite imóvel de R$ 356 mil em registro do TSE

Segundo o advogado e membro da Comissão Arns Oscar Vilhena Vieira, o documento empresarial foi articulado pelo presidente da Fiesp e pelo Comitê de Defesa da Democracia, formado pelo próprio Vilhena e por, entre outros, a socióloga Neca Setúbal; o ex-presidente do Banco Central Armínio Fraga; a cientista política Maria Hermínia Tavares de Almeida; e o ex-ministro Raul Jungmann.

Divergências suspensas

Estão nesse mesmo comitê figuras que já foram adversárias na política brasileira, como os ex-ministros da Justiça Miguel Reale Júnior, um dos proponentes do pedido de impeachment contra Dilma Rousseff, e José Eduardo Cardozo, que defendeu a ex-presidente no processo de afastamento.

“É um texto com participação ampla de segmentos da indústria, do agronegócio e do setor financeiro. Deve ser abrangente e dizer que não serão aceitos ataques ao sistema eleitoral, aos tribunais e a seus ministros”, afirma Vilhena.

O documento já tem o apoio da Associação Brasileira das Indústrias de Óleos Vegetais (Abiove), cujo presidente do conselho é o ex-ministro da Agricultura Blairo Maggi (PP); da Câmara Americana de Comércio Para o Brasil (Amcham), presidida por Luiz Pretti (ex-Cargill); e do Instituto de Estudos para o Desenvolvimento Industrial (Iedi), que tem o empresário Dan Ioschpe na presidência do conselho.

Em nota, a Febraban informou que o apoio ao manifesto foi decidido pela maioria dos membros de suas instâncias de governança. A federação reúne 116 bancos, entre eles Itaú Unibanco, Bradesco, Santander, Safra e BTG Pactual.

O Banco do Brasil e a Caixa Econômica Federal, também associados à Febraban, votaram contra a adesão ao texto por verem nele um ato político de crítica a Bolsonaro.

Entre no  canal do Último Segundo no Telegram e veja as principais notícias do dia no Brasil e no Mundo. Siga também o  perfil geral do Portal iG.

Fonte: IG Política

Comentários Facebook
Propaganda

POLÍTICA

Flow: Bolsonaro volta a defender remédios ineficazes contra a Covid-19

Publicados

em

Por

Jair Bolsonaro sendo entrevistado no Flow Podcast
Reprodução

Jair Bolsonaro sendo entrevistado no Flow Podcast

Em entrevista ao podcast “Flow”, o  presidente Jair Bolsonaro (PL) disse que “o Brasil é o país com menos sofreu com a Covid-19” logo no início da conversa. Hoje, o país ultrapassa o número de 680 mil mortes por conta do coronavírus. O candidato à Presidência também questionou a imunização contra a doença e voltou a defender os medicamentos ineficazes.

O mandatário ainda admitiu ter recebido orientações para evitar o assunto para perder eleitores, mas disse não se importar e que prefere dizer “a verdade”, segundo ele.

Apesar da fala de Bolsonaro, pesquisas mostram a queda no número de mortes acompanham o avanço da vacinação. Ele ainda disse que preferiu não se vacinar contra a Covid-19, embora tenha imposto sigilo de cem anos em sua carteira de vacinação.

“O pessoal me recomenda: ‘não toque nesse assunto’. Poxa, eu tenho que valar a verdade para o pessoal. Não quer votar mais em mim, lamento, né, posso fazer o quê? Eu tenho que falar a verdade”, disse o presidente.

Enquanto Bolsonaro falava sobre a questão da pandemia durante a entrevista, o programa exibido pela plataforma Youtube, destacava na legenda: “Lembre-se de pesquisar tudo o que foi dito neste programa”.

“Eu não tomei vacina. Me recomendaram até a tomar uma água destilada. Eu não vou. Posso enganar a você, mas não vou enganar a mim. Influencia alguns (a não tomar a vacina). Não é que a minha palavra tá valendo, eles foram ler a bula”, disse.

Leia mais:  Mesmo se cassado, Monteiro pode ser eleito deputado e exercer mandato

Bolsonaro citou estudos de Israel que apontam a perda de eficácia da vacina da Pfizer. Entretanto, a aplicação da quarta dose para adultos acima de 40 anos, imunossuprimidos e profissionais de saúde quatro meses após a terceira dose, é recomendada pelo Ministério da Saúde.

Apesar das críticas, Bolsonaro disse que as doses de vacina contra o coronavírus seguirão sendo disponibilizadas:

“Tem gente que quer tomar a terceira, quarta dose. Sem problema nenhum, enquanto quiser tomar, vamos dar a vacina. Agora, respeite quem não quer tomar a vacina”, disse.

Ademais, o presidente  voltou a defender medicamentos comprovadamente ineficazes contra a Covid-19, como a hidroxicloroquina.

“Eu acho que deviam tomar. Eu tomei e fiquei bem, 90% tomaram e tão bem”.

Bolsonaro ainda diz que a “liberdade médica” foi cassada durante a pandemia.

“O meu ministro da saúde, o tal do Mandetta, ele fez um protocolo e quem tava com Covid ia pra casa e quando sentia falta de ar, ia para o hospital. Aí eu falei ‘ vai pro hospital fazer o que? Ser intubado?’. Por que você não garante a liberdade do médico de clinicar seu paciente? Porque o médico sabe disso. Se chega alguém que tá passando mal que pode morrer, ele pode receitar alguma coisa em comum acordo com o paciente ou com a família”.

O Chefe do Estado também comentou sobre a questão do contrato da Pfizer ter chegado no Brasil e ele não ter aceitado prontamente, questão tratada durante a CPI da Covid, onde foi divulgado que 101 e-mails com ofertas de venda e reforço da disponibilidade das doses foram ignorados pelo governo brasileiro, o que poderia ter adiantado o  início da vacinação no Brasil.

Bolsonaro justificou que a oferta chegou em maio de 2020 e não aceitou, pois, segundo ele, a farmacêutica não se responsabilizava pelos efeitos colaterais.

“Me acusam de não ter comprado vacina. Li o contrato da Pfizer e tava escrito: “Não nos responsabilizamos pelos efeitos colaterais”. Falei não, pô”.

Antes de estar disponível para o cidadão, qualquer vacina ou medicamento passa primeiramente pela Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária). A agência avalia os estudos de eficácia da vacina, ou seja, quanto que ela funciona, e os estudos de segurança, isto é, as reações adversas, efeitos colaterais e problemas observados nas pessoas que se vacinaram. Ou seja, é verdade que as empresas não se responsabilizam pelos possíveis efeitos colaterais, mas ela dispõe de dados, resultados e acompanhamentos para que uma agência de saúde possa aprovar ou não um imunizante com segurança. Se aprovado, é porque a vacina tem sua segurança cientificamente comprovada.

Entre no  canal do Último Segundo no Telegram e veja as principais notícias do dia no Brasil e no Mundo.  Siga também o  perfil geral do Portal iG.

Fonte: IG Política

Comentários Facebook
Continue lendo

ITURAMA E REGIÃO

POLICIAL

POLÍTICA

ECONOMIA

Mais Lidas da Semana